No final de março deste ano, Cabo Verde começou a sentir os efeitos da pandemia, quando os países emissores de turistas começaram a limitar a circulação, o que fez com que “as dificuldades impostas pelas medidas internas e globais de contenção da propagação do vírus interrompessem o desempenho económico favorável que se vinha a registar nos anos mais recentes”.

Para o arquipélago que depende do turismo para equilibrar as contas públicas e financiar o desenvolvimento económico, o corte no turismo foi um golpe duro. “A aceleração do crescimento e as melhorias nas contas públicas e externas marcaram a evolução em 2019, contudo, em 2020, a declaração do estado de emergência e a imposição de restrições às deslocações paralisaram o setor do turismo, com impacto em muitas atividades conexas, e repercussões negativas na economia do país”, diz o Banco de Portugal.

As autoridades, lê-se no documento, “introduziram medidas de intervenção rápida, com apoios à tesouraria das empresas e ao rendimento dos trabalhadores, bem como à manutenção da liquidez e estabilidade do setor bancário”.

O apoio dos parceiros internacionais foi a resposta encontrada pelo Governo para acorrer à crise, tendo recebido financiamento por parte do FMI e do Banco Africano de Desenvolvimento, para além de doações de outros parceiros e de ter aderido à iniciativa do G20 sobre a suspensão do serviço da dívida.

A excessiva dependência de uma só matéria-prima, seja o petróleo em Angola, o gás em Moçambique ou o turismo em Cabo Verde, também agravou os efeitos da pandemia na Guiné-Bissau, onde a queda do valor do caju representou mais um golpe para o arquipélago.

“A recente pandemia de covid-19 gorou as perspetivas de uma recuperação económica, com repercussões negativas a nível económico, social e da segurança sanitária do país”, que surgiu nas vésperas da habitual campanha de comercialização da castanha de caju, vindo prejudicar as perspetivas de comercialização do produto”, nota o Banco de Portugal.

Em Moçambique, o único país que lusófono que espera ainda escapar à recessão económica este ano, o Banco de Portugal lembra que já em 2019, “um ano marcado pela desaceleração da procura global, pela queda acentuada dos preços dos principais bens exportados e pelo efeito assolador dos ciclones tropicais Idai e Kenneth sobre a população e sobre a atividade económica”, o crescimento abrandou face à média dos anos anteriores.

O impacto da pandemia na economia é ainda incerto, mas o Governo foi rápido a reagir, adotando um conjunto de medidas que se revelaram eficazes no combate à propagação da pandemia.

Mais difícil foi a situação em São Tomé e Príncipe, onde “as medidas sanitárias de confinamento introduzidas em março provocaram a suspensão de segmentos relevantes da atividade económica, quer no setor formal, quer na componente informal da economia, que tem em São Tomé uma expressão elevada”.

O turismo, claro, é a área onde essas consequências foram mais evidentes, concluiu o Banco, notando que “a suspensão das ligações aéreas com o exterior e as restrições associadas ao confinamento prejudicaram a atividade turística com a consequente destruição de postos de trabalho, num setor que é responsável por uma ampla parcela do emprego formal no país”.

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