PAPSS, trocas comerciais sem troca de moeda.

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Com o PAPSS (Sistema Pan-Africano de Pagamentos e Liquidações), as trocas comerciais entre as empresas africanas vão dispensar a troca de moedas para que o produtor receba na sua moeda, ao mesmo tempo que o consumidor paga igualmente na sua moeda, através de uma infraestrutura financeira que permite pagamentos automáticos usando duas moedas diferentes em dois países.

Falando nesta quinta-feira, 13 de Janeiro de 2022, em Accra (Gana), na sessão de lançamento comercial do PAPSS – um mecanismo financeiro que permite trocas comerciais entre países africanos na mesma moeda – o presidente do Banco Africano de Importação e Exportação (Afreximbank), Benedict Oramah salientou que a sua instituição pretende estreitar relações com pelo menos 500 bancos africanos disponibilizando-lhes linhas de crédito de cerca de 8 mil milhões de dólares para facilitar as transações comerciais

Segundo o presidente da PAPSS, Mike Ogbalu;

“As infraestruturas de pagamento já existem há algum tempo nos níveis nacional e sub-regional. No entanto, esses sistemas carecem de interoperabilidade. Os sistemas de pagamentos nacionais e regionais fragmentados não podem impulsionar o desenvolvimento económico pan-africano e o comércio intra-africano. Embora estes tenham começado bem, é essencial que agora integremos financeiramente toda a África”
Benedict Oramah acrescentou;
“Negociámos com 500 bancos africanos, dando-lhes serviços e apoio comercial para garantir o lançamento de linhas de crédito até 8 mil milhões de dólares, que hoje estão nos 2 mil milhões de dólares e disponibilizámos 3 mil milhões de dólares num instrumento financeiro para os bancos centrais africanos, que terão assim recursos para garantir a estabilidade e a previsibilidade nos fluxos financeiros”.
“África tem um problema peculiar, que é ter 42 moedas nacionais, e o acesso a moeda forte (dólar por exemplo) é muito limitado, o que faz com que as trocas comerciais tenham custos de transação de 5 mil milhões de dólares por ano”, explicou Oramah, acrescentando: “Não admira que os níveis de comércio intra-africano sejam tão baixos”.
Com este sistema, exemplificou o banqueiro, “uma família senegalesa pode marcar férias nas Seicheles e pagar na sua moeda, e uma empresa produtora de chocolate na África do Sul pode encomendar cacau à Guiné-Conacri e pagar na sua moeda”.

Outra das vantagens deste sistema que já está operacional a partir de hoje (13 janeiro 2022) é que os grandes orçamentos africanos vão poder ser feitos na moeda do país em que a obra será feita, o que evita flutuações devido ao câmbio com o dólar e, assim, “o preço das grandes obras deverá a ficar mais baixo”, concluiu Oramah na sessão de lançamento comercial do PAPSS, que decorreu no Gana em formato presencial e virtual.

Para o secretário-geral da Zona de Comércio Livre Continental (ZCLCA), Wamkele Mene, o lançamento do PAPSS e a implementação do ZCLCA vão beneficiar também as PME, os jovens empresários e os que fazem comércio transfronteiriço em África.

 

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