Paulina Chiziane primeira escritora negra africana a ganhar o Prémio Camões.

A escritora moçambicana, Paulina Chiziane, venceu a 33.ª edição do Prémio Camões 2021, considerado a maior e mais prestigiada distinção literária da língua portuguesa.

“No seguimento da reunião do júri da 33.ª edição do Prémio Camões, que decorreu no dia 20 de Outubro, a ministra da Cultura anuncia que o Prémio Camões 2021 foi atribuído à escritora moçambicana Paulina Chiziane”, lê-se Na nota oficial a que teve acesso Mercados Africanos.

Paulina Chiziane é a primeira autora negra africana a receber o Prémio Camões. O júri desta edição incluiu dois escritores dos PALOP: Tony Tcheka, (Guiné-Bissau) e Teresa Manjate (Moçambique).

De notar que este prémio tem sido objeto de críticas por os júris o terem atribuído quase sistematicamente a portugueses e brasileiros.

O documento refere que a escolha da autora moçambicana foi unânime, relevando-se para tal a sua vasta produção e reação crítica, igualmente a importância académica das suas obras. Mais ainda, contribuiu para a sua escolha a relevância que atribui às mulheres africanas, no geral, e moçambicanas, em particular, em suas obras.

Depois de receber a distinção, Paulina Chiziane dedicou-a as mulheres, pois estas “têm uma alma grande e uma mensagem para dar ao mundo” de maneiras que o Prémio serve para “fazê-las sentir o que têm por dentro”.

Paulina Chiziane “está traduzida em muitos países e é hoje uma das vozes da ficção africana mais conhecidas internacionalmente, tendo já recebido vários prémios e condecorações”, conclui a nota.

Paulina Chiziane nasceu no distrito de Manjacaze, na província de Gaza, e tem 66 anos. Com a publicação do livro “Baladas de Amor ao Vento” em 1990 tornou-se na primeira mulher moçambicana a publicar um romance. Várias obras suas estão traduzidas em inglês, alemão, italiano, espanhol, francês, sérvio, croata. Mas refira-se que o romance feminista “Niketche: Uma História de Poligamia” (2002) foi a sua obra mais traduzida e lida.

Recorde-se que o Prémio Camões foi instituído pelos governos de Portugal e do Brasil em 1989 e é outorgado àqueles autores que contribuíram para o enriquecimento do património literário e cultural da língua portuguesa e consiste numa quantia pecuniária.

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