A percentagem de afrodescendentes eleitos para comandar prefeituras no Brasil cresceu de 29,2%, em 2016, para 32,1%, em 2020, segundo informações divulgas pelas autoridades eleitorais do país após as autárquicas realizadas em 15 de novembro no país.

Os dados indicaram que houve um avanço na percentagem de descendentes de africanos eleitos, embora ainda seja possível constar uma sub-representação dos negros eleitos tendo em vista que 56% da população brasileira declara ser negra ou parda (termo usado no Brasil para identificar o tom de pele fruto de miscigenação).

A proporção de negros e pardos disputando cargos políticos no maior país da América do Sul em 2020 atingiu 49,9% do total de candidatos, superando pela primeira vez a percentagem de postulantes brancos (48,1%), de acordo com os pedidos de registo de candidatura do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que organiza as eleições no país sul-americano.

Em 2020, pouco mais de 277 mil candidatos que disputaram as autárquicas no Brasil afirmaram ser negros ou pardos. Já os candidatos brancos somavam pouco mais de 267 mil pessoas.

Em 2016, cerca de 51% dos candidatos (cerca de 255 mil pessoas) que concorreram nas autárquicas se autodeclararam brancos, enquanto outros 47,7% (cerca de 237 mil pessoas) disseram ser pardos ou negros.

O recorde de candidaturas de afrodescendentes no Brasil também impulsionou uma pequena elevação na percentagem de vereadores negros eleitos para ocupar uma cadeira nas câmaras legislativas municipais, que passou de 42,1% (2016) para 44,7% (2020).

O resultado das autárquicas brasileiras confirmam uma tendência registada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a sobre uma elevação na percentagem de pessoas que se autodeclaravam negras no Brasil, que saltou 36%, assim como a percentagem daqueles que disseram ser pardos, que cresceu 10%, entre os anos de 2012 e 2019.

O número maior candidaturas e vitórias de políticos que descendem de africanos nas autárquicas brasileiras também reflete uma decisão da justiça, que determinou que a distribuição dos recursos públicos usados para financiar as campanhas eleitorais e o tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão deveria ser proporcional ao total de candidatos negros e pardos que os partidos políticos apresentaram no pleito.

Ao anunciar a medida, o juiz e presidente do Tribunal Superior Eleitoral brasileiro, Luís Roberto Barroso, disse em agosto passado que a decisão foi uma reparação às injustiças históricas trazidas pela escravidão, assegurando a igualdade de oportunidade aos que começam a corrida da vida em grande desvantagem no Brasil.

“Há momentos na vida em que cada um precisa escolher em que lado da história deseja estar. Hoje, afirmamos que estamos do lado dos que combatem o racismo e que querem escrever a história do Brasil com tintas de todas as cores”, concluiu o juiz.

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