Petróleo e gás em África: O que se passa?

Tal como Mercados Africanos tem vindo a noticiar e a analisar, os países africanos produtores e exportadores de petróleo querem-se aproveitar da situação de guerra na Ucrânia e beneficiar com isso.

Sobretudo das sanções impostas ao petróleo e gás russos para delinearem estratégias para desbloquear o potencial do petróleo e gás africanos e poderem beneficiar dos esforços dos países da União Europeia para saírem da dependência da Rússia nesse setor.

Isso não vai acontecer de um dia para o outro, é compreensível que os esforços europeus para sair da dependência da energia russa, possam criar uma oportunidade para o continente africano se posicionar e aumentar a sua participação nos mercados globais de petróleo e gás.

No entanto, déficits de tecnologia, infraestrutura e financeiros, constituem importantes desafios para que África possa rapidamente aumentar a sua produção de petróleo e gás e idealmente refinar esses produtos antes de exportá-los e assim acrescentar a tao necessária mais-valia.

Todos sabemos que países com grandes recursos em gás natural liquefeito (GNL), como, Angola, Argélia, Líbia e Nigéria – para só mencionar estes quatro – têm limitadas refinarias, molhes, terminais e portos com as necessárias infraestruturas de armazenamento, para além de uma série de fatores de risco, tais como instabilidade política e questões de insegurança local.

A isto há que acrescentar a tendência crescente das instituições financeiras de transferirem investimentos de combustíveis fósseis para renováveis.

Ao que se soma as novas estratégias dos grupos petrolíferos presentes no continente, de se voltarem ou incorporarem cada vez mais as energias renováveis nas suas prioridades e do debate de se considerar, ou não, o gás natural uma energia limpa.

O recente caso levado a tribunal em Londres por uma ONG, que disputa o investimento britânico no gás de Moçambique, atesta o que dizemos.

Assim e apesar da vontade dos produtores e exportadores de petróleo e gás africanos quererem utilizar esta situação mundial, para aumentarem a sua parte no mercado global, não será fácil, sobretudo devido a questões de dependência tecnológica dos grupos petrolíferos incluindo os russos.

Recorde-se que as empresas petrolíferas russas estão entre as principais do setor presentes em vários países africanos e o impacto das sanções que lhes são impostas tem uma incidência particular nos projetos em que trabalham em África.

Segundo um estudo publicado no final de Março de 2022, pela S&P Global o conflito entre a Rússia e a Ucrânia terá consequências para o bom andamento das atividades petrolíferas dessas companhias no continente e várias operações de exploração estão ameaçadas.

Principalmente na região do Golfo da Guiné devido à participação ativa da petrolífera russa Lukoil, sob sanções e que pode afetar a produção no Gana, República do Congo e Guiné Equatorial.

O mesmo poderá vir a acontecer no Sudão do Sul, com as sanções a comprometerem a empresa russa Safinat de desenvolver a refinaria de Bentiu.

Na nossa opinião, durante o 8º Congresso de Exposição de Petróleo de África que será realizado entre os dias 16 e 19 de Maio de 2022, em Luanda, os países africanos produtores e exportadores de petróleo e gás deveriam, sobretudo, concentrar-se em como utilizar os dividendos inesperados dos preços do petróleo.

E apesar dos aumentos da cesta alimentar, da gasolina e gasóleo, devem desenvolver prioritariamente, a transformação desses produtos e saírem da dependência tecnológica de terceiros, para além do apoio à diversificação económica

O setor privado é fundamental neste processo. O exemplo de Dangote na Nigéria, que constrói refinarias demonstra que é possível.

Por isso. Mãos-à-obra.

 

O que achas desta situação do Petróleo e Gás em África? O continente vai ser capaz de dar o pulo tecnológico? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

Imagem: © 2019 Ahmed Jadallah / Reuters

close

VAMOS MANTER-NOS EM CONTACTO!

Gostaríamos de lhe enviar as nossas últimas notícias e ofertas 😎

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

pub

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite o seu comentário!
Por favor, digite o seu nome aqui


Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.