Esta decisão ─ que muito tardou─ foi tomada na sexta-feira, 7 de maio, pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e anunciada pelo seu Diretor-Geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus, num contexto em que o debate sobre o levantamento de patentes de vacinas contra Covid-19 é mais relevante do que nunca.

Esta é a primeira vez que tal acontece, o que indica da urgência global devido há pouca disponibilidade de vacinas, ou melhor ao “açambarcamento” dos países que as produzem ou dos que têm os recursos financeiros para as comprar em massa, muito alem das próprias necessidades.

Produzida em Pequim pelo Bio-Instituto de Produtos Biológicos de Pequim, uma subsidiária do China National Biotec Group (CNBG), a vacina Sinopharm tem uma eficácia estimada de 79% e já foi inoculada em milhões de pessoas na China e em 42 países em todo o mundo, especialmente na África.

A OMS recomenda que seja administrado em duas doses para pessoas com 18 anos de idade ou mais.

Segundo especialistas, a introdução dessa vacina no sistema de distribuição de vacinas da OMS Covax facilitará ainda mais o acesso às vacinas para países com poucos recursos, por serem menos restritivas do que vacinas como a Pfizer, Moderna e AstraZeneca.

Outras vacinas chinesas poderão estar em processo de aprovação pela OMS.

Esta decisão de validar as vacinas chinesas, ─ o que seguramente não agrada ao chamado Ocidente ─ está ligado ao facto das autoridades africanas e peritos como o diretor da Organização Mundial de Saúde (OMS) terem advertido para os riscos de lentidão na vacinação contra a covid-19 e alertaram que a situação da Índia se pode repetir em África.

Numa reunião que decorreu por videoconferência nesta sexta-feira 7 de maio e que foi organizada pela União Africana (UA) para avaliar a resposta continental à pandemia, chefes de Estado, ministros e autoridades sanitárias internacionais e regionais concordaram na necessidade de não serem “complacentes” e de serem mantidas as medidas de prevenção, à espera que os países africanos possam ter um maior acesso a vacinas.

“O que aconteceu em outros locais pode acontecer na nossa África se baixarmos a guarda”, advertiu o etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus, líder da OMS, referindo-se a um potencial aumento de casos e situações de grave emergência sanitária com o aparecimento de novas variantes.

O diretor do Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (África CDC), John Nkengasong, analisou a situação heterogénea entre países, com a maioria a preparar-se para uma terceira vaga e avisou que se deteta uma crescente “fadiga pandémica” na população, o que leva a um incumprimento das medidas preventivas.

De momento só Angola, Quénia, Marrocos e Uganda detetaram casos da variante B.1.617 (identificada na Índia), mas o continente já enfrentou os efeitos de outras mutações do vírus, especialmente no sul do continente com a variante B.1.351, que continua a ser dominante na África do Sul e é mais contagiosa e resistente às vacinas.

Apesar do lento avanço da vacinação em África, que só recebeu 37 milhões de doses e administrou 53%, para uma população de 1.216 milhões de pessoas, os participantes nesta reunião destacaram que África teve até agora bons resultados na sua luta contra a pandemia e que as medidas adotadas funcionam.

“Não estamos totalmente desamparados”, disse Nkengasong, antes de pedir aos governos para exortarem os seus cidadãos a manter as medidas preventivas.

Também chamou a atenção para a necessidade de os países terem provisões de oxigénio e equipamentos de proteção sanitária, de forma preventiva, tendo em vista a complicada situação sanitária na Índia.

No encontro foram louvados os progressos para um levantamento temporário das patentes das vacinas contra a covid-19, uma iniciativa liderada pela África do Sul e Índia na Organização Mundial do Comércio (OMC), que esta semana contou com o apoio inesperado dos Estados Unidos.

Até agora o continente africano registou 4,6 milhões de casos, dos quais resultaram 123.961 mortes, segundo dados do África CDC.

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