A pandemia de Covid-19 desviou o debate e a atenção do mundo da crise climática. No entanto talvez ainda mais mortífero do que a COVID-19 são os impactos das mudanças climáticas em África desde a seca no Sahel, praga de gafanhotos no Corno da África, ciclones e tempestades na parte austral.

O Continente é responsável por menos de 4% das emissões globais de CO2, sendo assim o que menos contribui para o aquecimento global e o que mais tem sofrido com as alterações climáticas. É também aquele que enfrentará, nos próximos anos, os maiores desafios ao nível da produção de energia, uma vez que a sua população deverá duplicar até 2050.

É necessário travar o avanço do deserto do Sara e investir no chamado “muro verde” para estabilizar o avanço e criar condições para proteger os campos agrícolas. Investir decisivamente na energia renovável e criar cada vez mais parques eólicos como os do Quénia e da Etiópia, assim como promover a energia solar a baixo preço e com tecnologia apropriadas. A África do Sul, Cabo Verde, o Ruanda e a Nigéria também adotaram estratégias nesse sentido.

O Ruanda, apesar dos efeitos económicos da pandemia, pagou a sua contribuição às Nações Unidas e dá uma grande lição de visão e compromisso, sobretudo aos países industrializados, principais responsáveis pela produção de gases de efeito de estufa, que contribuem para as alterações climáticas, embora as principais vítimas estejam no hemisfério sul e produzam cada vez mais os chamados “refugiados climáticos”.

No entanto, a falta de financiamento continua a ser uma barreira, as energias renováveis ainda não têm os mesmos apoios do que os combustíveis fósseis quando toca a financiamento de projetos estruturantes.

Todas as crises trazem oportunidades. Na recuperação económica pós COVID-19 a resiliência tem que ser inserida nas estratégias, viabilizada nos planos e financiada nos programas orientados para um desenvolvimento sustentável e inclusivo.

O continente africano é rico em fontes de energia renováveis, como são exemplo a eólica e a solar mas gera menos energia solar do que países como o Reino Unido ou a Alemanha, que têm muito menos horas de sol.

Será necessário ir-se para além das palavras e disponibilizar os investimentos para os projetos do sector privado, para que as energias renováveis e a resiliência sejam uma realidade em África.

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