O potencial de crescimento das trocas comerciais entre os países africanos ao abrigo do acordo de livre comércio no continente (ZCLCA) é “brutal”, mas os países são diferentes e cada um está no seu ponto de regresso à normalidade, afirma o economista chefe da consultora britânica Eaglestone, Tiago Dionísio, em entrevista ao Mercados Africanos.

“Depois de 2020, em que se espera uma contração de pelo menos 3% na África subsaariana, a pior em muitas décadas, 2021 só pode ser melhor”, assegura o economista, salientando, ainda assim, que “este é um conjunto muito grande de países muito diferenciados, uns são exportadores de matérias-primas, outros são muito dependentes do turismo, e esses têm sido muito afetados pela pandemia”.

A referência, claro, assenta que nem uma luva a países lusófonos como Angola e a Guiné Equatorial, ou Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, dependentes do petróleo e do turismo para equilibrarem os seus orçamentos e financiarem os investimentos que desenvolvam a economia.

“Cada país tem a sua situação específica, mas em 2021 a generalidade, se não a totalidade, deverá registar um crescimento positivo porque haverá um regresso à normalidade, mas vamos demorar algum tempo até o PIB recuperar os níveis anteriores à crise, pode demorar até 2023 ou 2024, porque este ano fio realmente muito negativo, alguns países foram muito afetados e uns vão demorar mais tempo que outros a regressar à normalidade pré-ovid-19”, diz o analista.

Olhando para a potencialidade do impacto do acordo que isenta de taxas alfandegárias mais de 90% dos produtos transacionados entre os países africanos a partir de 1 de janeiro, Tiago Dionísio diz que “o potencial é brutal”, e lembra um estudo do Banco Africano de Exportações e Importações (Afreximbank), segundo o qual há um potencial de mais de 80 mil milhões de dólares de receita para os países e as empresas que apostem no comércio intra-africano.

“Na União Europeia, as trocas entre os países que compõem este bloco é de quase 80%, e aplicando esse potencial a África, o potencial é brutal, já que é o maior continente em termos de população e o mais jovem, portanto potencial é brutal”, concluiu o analista na entrevista concedida ao Mercados Africanos em Lisboa.

O tratado de livre comércio em África estava previsto entrar em vigor este ano, mas a pandemia obrigou ao adiamento para 1 de janeiro de 2021; o acordo abrange a generalidade dos países africanos e abarca um conjunto de 1,3 mil milhões de pessoas numa zona económica cuja riqueza ascende a 3,4 mil milhões de dólares.

Os países africanos transacionam entre si cerca de 15% dos bens que produzem, um valor que compara com os cerca de 70% na União Europeia e mais de 50% na Ásia, de acordo com os números das organizações internacionais económicas.

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