Segundo um comunicado publicado pelo MNE da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, terminou na segunda feira (22/02) uma visita de amizade e trabalho ao Chade, a convite do seu homólogo, Marechal Idriss Deby Itno, tendo ambas as partes concordado na necessidade de criar um quadro de cooperação nas áreas de segurança e defesa para o intercâmbio de experiências, formação e informação.

As duas delegações concordaram ainda em assinar um acordo-quadro de cooperação, assim como criar uma Comissão Mista de Cooperação entre os dois países num futuro próximo.

Embora esta viagem tenha passado despercebida pela imprensa da lusofonia, na nossa leitura, tem um significado estratégico importante e confirma que o presidente da Guiné-Bissau, pretende ter um papel ativo na diplomacia e nas áreas de defesa e segurança, não só da África do Oeste, mas também na zona do Sahel, considerando a posição geográfica, histórica e cultural  deste país.

Interessante de notar que tal, como escreveu Mercados Africanos, no artigo intitulado “Sahel a difícil luta pela paz” https://mercadosafricanos.com/1/sahel-a-dificil-luta-pela-paz/ publicado a 20 de fevereiro, o Marechal Idriss Deby Itno acaba de ocupar a presidência do chamado G5 Sahel (Mauritânia, Mali, Burkina Faso, Níger e Chade) no final dos trabalhos da 7ª Conferência de Chefes de Estado do G5 Sahel que terminou na segunda-feira (15/02) à noite em N’Djamena. Curiosamente a presidência do G5 Sahel tinha sido ocupada até ao final dessa Conferência pela Mauritânia, o outro país visitado.

Relembramos que o G5 Sahel lidera a luta contra o terrorismo na zona do Sahel tendo no presidente do Chade, um dos seus principais atores.

Depois de N’Djamena, Sissoco Embaló efetuou uma visita de trabalho e amizade à República Islâmica da Mauritânia, de 22 a 23 de Fevereiro e teve reuniões  de trabalho com o seu homologo Ismaïl Ould Cheikh Ahmed, durante as quais discutiram da necessidade de elevarem o nível dos Consulados de ambos os países, para o de Embaixadas.

Os dois interlocutores falaram igualmente sobre a questão de facilitação da obtenção do cartão de residência aos guineenses residentes na Mauritânia e por fim,  sobre o início de uma cooperação institucional que prevê o envio de jovens diplomatas guineenses  para fazerem formação na Academia Diplomática recém inaugurada na Mauritânia.

Para além do que escrevemos mais acima, sobre um papel mais ativo da Guiné-Bissau na zona do Sahel e embora nem a Mauritânia nem o Chade façam parte da CEDEAO, estas duas visitas também devem ser vistas como parte integrante da estratégia da diplomacia guineense de conseguir apoios e influência para conseguir a presidência da CEDEAO na próxima cimeira de Junho de 2021.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa da Guiné-Bissau, Susi Barbosa e Sandji Faty, respetivamente, integraram a comitiva presidencial.

Wikimedia Commons ©

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