O dia de sexta-feira (15.01) era de festa, do 54.º aniversário das Forças Armadas de Cabo Verde, mas o tom do Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, que é também o Comandante Supremo, foi de aviso:

É preciso preparar “muito seriamente” a defesa cibernética do país. A mensagem é clara e surge depois de um ataque cibernético internacional ter colocado em causa o funcionamento de vários serviços da administração pública, alguns ainda por recuperar totalmente.

“Mas, mais do que a defesa tridimensional do território, as Forças Armadas têm de preparar-se muito seriamente para a defesa cibernética do país, pelo que, devem adequar-se convenientemente para contribuir para segurança do espaço cibernético e o normal funcionalmente das redes de internet, em especial da governação eletrónica do país”, afirmou Jorge Carlos Fonseca.

Por estes dias, Cabo Verde ainda recupera de um ataque internacional à Rede Tecnológica Privativa do Estado, que desde final de novembro condiciona vários serviços públicos, estando a ser investigado pela Procuradoria-Geral da República e pela Interpol.

É que para o chefe de Estado “Cabo Verde e os cabo-verdianos estão cientes da situação real das Forças Armadas”, mas também “precisam estar seguros de que a sua soberania está salvaguardada”. Mais ainda: Que “o normal funcionamento dos órgãos de soberania, que democraticamente legitimaram, está garantido”.

Isto porque, admite, as ameaças ou perigos já vão além das catástrofes ou desastres naturais, da evacuação, resgates, buscas e salvamentos, missões tipicamente assumidas pelas Forças Armadas de Cabo Verde, elogiando a sua integração ao combate à pandemia de covid-19 no arquipélago, ao lado das forças de segurança e das autoridades de saúde.

Contudo, para Jorge Carlos Fonseca é necessário dar atenção “à nova realidade que é a guerra cibernética”, recordando que “recentemente causou importantes danos ao país”. E apesar das dificuldades que o país enfrenta financeiramente, defende a necessidade de, “com uma programação e realização faseadas” vir a “adequar” as Forças Armadas, “a curto e médio prazos”, dos meios humanos e materiais “de que necessitam para o cabal desempenho da sua missão”.

“Apenas dessa forma será possível uma rigorosa preparação combativa para enfrentar, dissuadir ou neutralizar os males que nos ameaçam”, afirmou, numa mensagem que tem o Governo como destinatário e que é a última de Jorge Carlos Fonseca, que termina o mandato em outubro, com a realização de eleições presidenciais, às quais já não pode concorrer.

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