Com um ano de atraso face ao previsto, como reconheceu, o presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki Mahamat, visitou Cabo Verde, ontem, terça-feira (26/01), pouco antes da sua reeleição no cargo e reconheceu o exemplo que é o arquipélago no continente.

“Cabo Verde caracteriza-se como um país reconhecido pela boa governança política e económica. É um bom exemplo para o continente”, afirmou o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros do Chade, após reunir-se, na cidade da Praia, com o Presidente cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca. A ocasião serviu para um balanço de quatro anos de mandato e para pedir o apoio de Cabo Verde à reeleição, em fevereiro, garantida por se tratar do candidato único.

“A União Africana trabalha para os seus Estados-membros, e os seus Estados-membros pedem a paz e a integração”, destacou Mahamat, recordando que a visita a Cabo Verde já deveria ter acontecido em março de 2020, para o Encontro Internacional da Juventude Africana, previsto para a ilha do Sal e cancelado devido à “terrível pandemia” de covid-19.

Pandemia que em Cabo Verde “está bem controlada”, enfatizou Moussa Faki Mahamat, revelando que está prevista para quarta-feira , hoje, (27/01) uma reunião envolvendo a conferência de chefes de Estado da União Africana com a Organização Mundial da Saúde (OMS), Nações Unidas e África CDC para avaliar o processo de vacinação contra a covid-19 no continente. “Estamos a afinar estes processos para podermos, nós próprios, começar a vacinação”, afirmou Mahamat.

O presidente da Comissão da União Africana, o cargo executivo mais importante da organização, sublinhou que o acesso à vacina “é uma necessidade” também para África e que o continente deve ter as mesmas “oportunidades”, alertando para a “perigosidade” do “nacionalismo” que está a envolver o acesso às vacinas. Dos países ocidentais, neste processo, Moussa Faki Mahamat espera “solidariedade, apenas”.

“Esta pandemia, que atingiu todo o mundo, provou que não podemos só vacinar uma parte e deixar outra”, destacou. Sublinhou por isso que é uma “necessidade absoluta” que a vacina “fique disponível para todos”.

De acordo com os dados apresentados por Mahamat aos jornalistas, para uma população superior a mil milhões de pessoas, 20% das necessidades de doses de vacinas do continente africano serão garantidas através da plataforma internacional Covax, promovida pela OMS e pela Aliança para as Vacinas, entre outras organizações.

Uma equipa de negociação da União Africana reservou ainda junto dos fabricantes Pfizer, AstraZeneca e Johnson & Johnson a aquisição de 270 milhões de doses para serem colocadas à disposição dos Estados-membros. Acrescentou que também estão a ser negociadas compras de doses da vacina diretamente entre os Estados-membros e indústria farmacêutica, com o African Export Import Bank (Afreximbank) a assegurar financiamento para essas operações.

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