Presidente moçambicano, citado a comparecer em tribunal britânico.

Em Moçambique, onde decorre o julgamento do caso das dividas ocultas, o tribunal onde se têm vindo a ouvir os acusados, as várias menções, à eventual participação do Presidente da República no esquema de fraudes não foi tomada em consideração, pelo menos até agora.

O julgamento que ocorre em Maputo está intimamente ligado ao que se acaba de passar em outros processos em várias jurisdições, que já levaram ao reconhecimento de culpabilidade do banco Credit Suisse e do banco russo VTB pelas autoridades reguladoras norte-americanas e do Reino Unido.

Esta implicação de autoridades judiais e financeiras desses países não deixará de ter um impacto no processo de Maputo e consequentemente na seriedade com que o mesmo tem que mostrar.

Tal como Mercados Africanos noticiou começou a 23 de Agosto 2021, na Cadeia de Máxima Segurança da Machava, vulgo B.O, em Maputo, o julgamento do maior escândalo o financeiro de Moçambique pós-independência, conhecido como o “caso das Dívidas Ocultas”, envolvendo um total de 19 arguidos, julgados por receber ilicitamente parte dos valores dos empréstimos bancários obtidos, entre 2013 e 2014, do Credit Suisse e VTB Capital, num total de cerca de 2.1 mil milhões de dólares.

Trata-se de uma divida contraída com garantias do Estado, sem o conhecimento da Assembleia da República e do Tribunal Administrativo, para as empresas ProÍndicus (622 milhões de dólares), Ematum (850 milhões de dólares) e MAM (535 milhões de dólares).

Entre os acusados Armando Ndambi Guebuza (42 anos), filho do antigo Presidente da República Armando Guebuza

A situação que tem vindo a apertar-se em torno do Presidente de Moçambique, culminou com a sua foi notificação, a 19 de outubro 2021, pela empresa naval Privinvest, depois de uma autorização do Tribunal Superior de Londres, onde decorre um processo relativo às dívidas ocultas.

A Privinvest, acusada de subornar vários altos funcionários do Estado agora em julgamento, reivindica também ter pago a Filipe Nyusi, na altura ministro da Defesa, inclusive a sua campanha presidencial de 2014.

Poderá haver várias leituras a esta citação, mas indubitavelmente uma ocasião soberana, para que o primeiro mandatário moçambicano esclareça a verdade.

Para além do mais – considerando a dimensão internacional do assunto que envolve as maiores praças financeiras globais – o sistema de administração da justiça moçambicano tem aqui a oportunidade de demostrar imparcialidade.

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