O grupo alargado da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP+) acordou finalmente, depois de quase uma semana de negociações, abrandar as limitações à produção de petróleo, aceitando um aumento de 500 mil barris por dia.

As boas notícias para os produtores africanos, nomeadamente os lusófonos Guiné Equatorial e Angola, foram temperadas pela evidente divisão entre dois pesos pesados do grupo, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos.

Na reunião virtual que decorreu a partir da sede da organização, em Viena, os países acordaram ainda fazer reuniões mensais para ver a evolução do mercado, concentrado no otimismo que a vacina contra a covid-19 vai trazer não só aos produtores, mas também aos clientes, que deverão aumentar a procura em função da retoma da atividade económica para níveis normais.

A previsão dos analistas apontava para que o grupo mantivesse os limites à produção, que se por um lado prejudicam as finanças pela limitação das vendas, por outro lado ajudam a sustentar os preços, que ainda assim estão em valores historicamente baixos, abaixo dos 50 dólares por barril.

A decisão alcançada teve o mérito de, para além de fazer o barril de Brent subir para quase 49 dólares no final da semana, evitar que a ‘guerra aberta’ entre os dois principais produtores do Médio Oriente se traduzisse num impasse, mas ainda assim as divisões foram bem visíveis, com o próprio ministro da Energia da Arábia Saudita, presença assídua nas reuniões, a deixar para o seu homólogo russo a condução dos trabalhos.

“É muito doloroso, é muito cansativo, às vezes é muito frustrante”, comentou o príncipe Abdulaziz bin Salman nas declarações citadas pelas agências internacionais sobre as negociações.

“O acordo serve o principal objetivo da Arábia Saudita, que é impedir que as reservas de petróleo se acumulem durante o primeiro trimestre”, comentou Amrita Sem, cofundadora da consultora Energy Aspects, uma das mais influentes no setor energético.

As reuniões, que passam a ser mensais, não poderão ajustar a produção em mais ou menos do que 500 mil barris diários, e as compensações pelos cortes não feitos poderão ser feitas até março, o que, no caso de Angola, significa que é possível que a produção não se altere significativamente nos primeiros meses de 2021, já que o país tem por vezes violado os limites à produção acordados no cartel.

Com a redução brusca da procura no seguimento da propagação da pandemia, a OPEP e os seus aliados impediram uma queda ainda maior nos preços ao limitarem a produção a 9,7 milhões de barris por dia, e depois em agosto devolveu 2 milhões de barris ao mercado sem perturbações, e esperava-se que aumentasse novamente nessa proporção em janeiro.

Vários membros do grupo, no entanto, mostraram preocupação sobre se o mercado estava capaz de absorver mais uma injeção de crude, já que a segunda vaga da pandemia estava a ter como consequência um abrandamento da procura de petróleo.

Outros, pelo contrário, estavam ansiosos por voltar a abrir a torneira da produção para equilibrar as finanças públicas, afetadas pela quebra das receitas e pelo aumento das despesas para conter a propagação da pandemia de COVID19.

A OPEP é composta por treze países (Argélia, Angola, Congo, Guiné Equatorial, Gabão, Irão, Iraque, Kuwait, Líbia, Nigéria, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Venezuela), a que se juntam o Azerbaijão, Bahrein, Brunei, Cazaquistão, Malásia, México, Omã, Rússia, Sudão e Sudão do Sul para formarem a chamada OPEP+.

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