Putin, como por magia, “matou” o COVID.

Ainda há duas semanas atrás e apesar de ir perdendo fôlego, o COVID-19 continuava a liderar as notícias mundiais.

Era obvio o cansaço de todos os leitores e os esforços dos jornalistas em tentar encontrar criatividade na maneira de escrever sobre o COVID-19, sabendo de antemão que ninguém, ou quase, iria ler essa notícia.

De repente em menos de duas semanas, o mundo, os jornais, as rádios, os analistas, todos nós esquecemo-nos do COVID-19 e de um dia para o outro os jornalistas tinham algo novo, brutal e chocante para captar a atenção dos leitores deste mundo fartos de ouvirem falar do COVID-19.

O perigo das mutações, a preocupação crescente da quarta dose – para os países que a podem pagar – tudo isso desapareceu como por magia.

O COVID-19 que tinha mudado em menos de dois anos, a forma como a humanidade tinha vivido nas últimas décadas, para não dizer mais, evaporou-se.

Muitos de nós se perguntam se aquilo porque passamos terá sido real, considerando que repentinamente, é como se estivéssemos todos curados e que as segundas doses que deveriam ter chegado a África se esfumaram devido a novas prioridades do momento.

Os líderes africanos, as instituições internacionais esqueceram-se da pandemia e muitos fazem agora contas como utilizar os novos dividendos do petróleo ou gás com os preços a aumentar de forma vertiginosa.

O COVID-19 com os seus noticiários especiais e roda pés com o número de mortos, e infetados, foi substituído aos olhos do mundo, ou daqueles que formam e moldam as opiniões mundiais pela guerra da Ucrânia, os seus mortos, deslocados internos e refugiados.

Claro que uma guerra e esta em particular, não é humanamente defensável e devem ser esgotados todos os recursos para que tal não ocorra e Mercados Africanos tem um respeito enorme pelas vítimas bem reais que nos são apresentadas a cada minuto pelos repórteres presentes na região.

No entanto, esta guerra tem a particularidade de ocorrer num continente marcado por séculos de guerras, mas que depois do final da Segunda Guerra Mundial, só voltou a viver uma outra, nos Balcãs, que levou ao fim da Jugoslávia.

As imagens sempre chocantes, de violência e atrocidade, tem sido o dia-a-dia do continente africano durante décadas. Quem se lembra do caso do Ruanda com cerca de um milhão de civis mortos em três meses?

“Sim, claro, mas isso era muito longe… era em África… e afinal esse continente está habituado às guerras”, permitindo-me retomar a retórica global sobre a visão dos conflitos no continente africano e como esses mesmos conflitos são noticiados nos média.

Para os média globais e ocidentais, o resto do Mundo parou e as notícias, reportagens, comentários, analises incidem, agora, completamente na guerra na Ucrânia. No entanto, o resto do mundo continua a viver e o continente africano não é exceção.

Mercados Africanos continuará a incidir sobre as implicações da guerra no continente africano e das suas ligações, a vida politica e económica internacional de um ponto de vista africano.

Não deixaremos, portanto, de noticiar como sempre, o que de positivo se faz em África – que não deixou de ter os seus próprios conflitos com imagens sangrentas e de sofrimento humano – mas também continua a inovar, investir e trabalhar.

 

O que achas desta guerra e do impacto em África? E o COVID? Faz sentido ter-se parado de falar nele? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

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Imagem: © 2019 Gabriel Ippóliti / © 2022 Francisco Lopes-Santos

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