Racismo na fronteira é a vergonha da Ucrânia.

Seria de pensar que numa situação grave como esta, o racismo não vingasse, mas infelizmente assim não o é. Nas fronteiras ucranianas os tropas barram e gozam com quem quer que seja que tenha a pele mais escura.

Segundo relatos de vários africanos que, finalmente conseguiram passar a fronteira para fugir do cenário de guerra, todos se queixaram do mesmo. Os soldados só deixam passar as pessoas de pele mais clara e como se isso não fosse suficiente, ainda gozam com a situação.

 

A chegada

É extenuante tentar atravessar a fronteira, pois as filas são enormes e chega-se a estar mais de meio-dia em pé para se alcançar os portões, isto depois de muitos refugiados terem andado quilómetros a pé com malas às costas só para lá chegarem.

O panorama é atroz, pois a visão que se tem é a de milhares de pessoas a tentarem passar por um buraco de agulha, para quando se chega às portas ouvir-se a mesma ladainha: “Os africanos vão para o fim da fila”. Este ato bárbaro repete-se para todas as pessoas negras, de origem africana, indiana ou do Médio Oriente.

Quando se tenta pedir explicações, a resposta é a de que os africanos têm de esperar autorização para atravessar a fronteira e são “enviados” para os lados da fila e se não o fizerem são empurrados à bastonada.

 

Os testemunhos do racismo

Dois estudantes de medicina, portugueses Domingos Ngulonda de 22 anos, e Mário Biaguê de 24, depois de ajudados pela embaixada de Portugal, relataram à comunicação social os actos de racismo que sofreram na fronteira da Ucrânia com a Polónia.

Segundo eles, não só os mandaram para o fim da fila, como quando perguntaram porquê, foi-lhes dito que: “os pretos, vão para o final da fila porque não são seres humanos e podem morrer à vontade”.

Relataram também que foram colocados em conjunto com uma série de outros estrangeiros de pele escura e que de quando em vez aparecia soldados que os humilhavam dizendo; “quem quiser entrar que se sente” e passados alguns momentos diziam: “quem quiser entrar que se levante”, quando verificavam que já não reagiam diziam: “os negros para a direita, indianos para a esquerda” e passado alguns momentos, era o inverso.

Ficaram assim horas a fio, a maior parte do tempo em pé, com fome e sono, e a verem autocarros com ucranianos a chegar e a atravessar a fronteira enquanto eles continuavam à espera e, se alguém reclamava, os guardas usaram bastões empurravam e tratavam todos com agressividade.

Este e outros relatos passados com pessoas de outras nacionalidades, começaram a ser focados nos média internacionais, incluindo o New York Times, bem como a aparecerem vídeos nas redes sociais que mostravam estrangeiros não brancos à porta das fronteiras sem conseguirem passar.

A jornalista Nathália Urban, comentadora da brasileira TV 247, disse:

“As redes sociais estão inundadas de relatos e vídeos de imigrantes africanos na Ucrânia que sofrem discriminações ao tentarem deixar o país”.

A jornalista da BBC, Stephanie Hegarty, escreveu uma série de tweets a explicar o racismo sofrido pelos estudantes africanos, como este por exemplo:

“Uma estudante nigeriana de Medicina, na fronteira da Polónia/Ucrânia (Medyka-Shehyni) disse-me que está à espera há sete horas para passar, ela afirmou que os guardas estão a travar as pessoas negras e a enviá-las de volta para o fim da fila, dizendo que têm de deixar passar os ucranianos primeiro”.

Há poucas horas atrás, sendo posto a par do que se estava a passar, Josep Borrell, o chefe da diplomacia da União Europeia, pediu às autoridades das fronteiras ucranianas para darem “oportunidades iguais” aos africanos que tentam sair da Ucrânia. No entanto, até ao momento, não se sabe se o pedido surtiu efeito.

 

O que achas desta pouca-vergonha? Seria de esperar que perante esta catástrofe humana este tipo de racismo não viesse à tona, ou será que acontece exatamente o oposto? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

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Imagem: © 2022 Reuters

  • Ex-atleta olímpico, tem um Doutoramento em Antropologia da Arte e dois Mestrados um em Treino de Alto Rendimento e outro em Belas Artes. Escritor prolifero, já publicou vários livros de Poesia e de Ficção, além de vários ensaios e artigos científicos. neste momento exerce as funções de Chefe de Redação da Mercados Africanos.

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