Recuperar a história perdida de África.

Para recuperar a história africana, foi criado o projeto “História Geral de África (HGA)” que teve a sua origem no 1º Congresso Internacional de Africanistas, realizado em Acra, capital do Gana, entre 11 e 18 de Dezembro de 1962. Foi um grande evento que, com o apoio da UNESCO, reuniu cerca de quinhentos especialistas sobre África, vindos de todo o mundo.

 

Resgatar o passado

A ideia provavelmente foi anterior, mas foi ali que foi ratificado publicamente o desejo de construir, com a ajuda da UNESCO, um trabalho de cooperação científica internacional, voltado para o desenvolvimento de pesquisas históricas sobre África.

África, na sua grande maioria, procurava ou já tinha obtido a independente em relação à Europa e, em meio a uma onda nacionalista, muitos dos seus líderes assumiram o compromisso de não só descolonizar os seus países, mas também recuperar as suas histórias.

Da parte dos historiadores ocidentais não havia interesse na história africana. Essencialmente, África era considerada um continente primitivo e sem história de realce e, por causa da falta de registos escritos, muitos deles simplesmente abandonaram a tarefa de revisitar o passado do continente.

 

Os motivos

Três motivos principais justificavam a criação do projeto da HGA, segundo os seus idealizadores.

Em primeiro lugar, havia o perigo de que as fontes históricas sobre África se perdessem definitivamente, tanto as fontes escritas quanto as orais. Tal fato poderia ser revertido, em parte, com a recolha de fontes e com a organização de arquivos em África, os quais poderiam acomodar a documentação existente e aquela que ainda estava por investigar.

Em segundo lugar, havia o desejo de que a HGA pudesse sintetizar o conhecimento sobre o continente, ainda disperso e mal distribuído no tempo e no espaço. Só assim se teria clareza das lacunas a serem pesquisadas.

Em terceiro lugar, havia o desejo de que a HGA pudesse impulsionar uma escrita da história que superasse os preconceitos colonialistas sobre o continente, contribuindo para mostrar as contribuições africanas para a civilização humana. Algo visto como sumamente necessário às nações africanas no período pós-colonial que se instaurava em África.

Assim, a Unesco ajudou estudiosos africanos a recuperar a história de África, recrutando 350 especialistas de diferentes áreas e de todo o continente. O resultado foi uma coletânea de oito volumes que abrangem a história de África, desde a pré-história até a era moderna.

 

A polémica

Como não podia deixar de ser, num projecto desta envergadura, houve uma enorme polémica em torno da decisão da Unesco começar a recuperar a História de África, com um exemplar sobre as origens da humanidade, expondo a teoria da evolução.

O volume provocou a ira de comunidades cristãs e muçulmanas, dado que alguns países de África acreditavam no criacionismo, doutrina que defende que os seres vivos surgiram do criador e não são, portanto, fruto da evolução.

O paleontólogo queniano Richard Leakey, que contribuiu para a elaboração do primeiro volume, diz acreditar que o facto de o ser humano ter vindo de África continua a ser algo digno de reprovação por alguns ocidentais, que preferem negar essa origem.

 

A História Geral de África

Até ao momento foram criados 8 volumes, mais 2 volumes de síntese sobre a obra publicada. Está um nono volume a ser elaborado, mas até ao momento não tem data prevista de lançamento.

Estes livros, recuperam a história de África desde o nascimento do primeiro Homem, até aos tempos modernos e pode ser baixada de forma gratuita do site da UNESCO.

Quem tiver interesse na obra, pode baixá-la a partir DAQUI.

 

Conclusão

A UNESCO reuniu para o projecto 350 especialistas, sob a direção de um Comité Científico Internacional formado por 39 intelectuais, onde dois terços deles são africanos

Na divulgação a UNESCO escreveu:

“A História Geral de África, no seu todo, permite compreender o desenvolvimento histórico dos povos africanos e a sua relação com as outras civilizações a partir de uma visão panorâmica, diacrônica e objetiva, obtida de dentro do continente”

E acho que esta descrição resume tudo, só nos resta a nós, recuperar a História de África, lendo os volumes deste fabuloso projecto.

 

O que achas disto? Recuperar a História de África é vital para a nossa identidade? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

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Imagem: © UNESCO

Autor

  • Ex-atleta olímpico, tem um Doutoramento em Antropologia da Arte e dois Mestrados um em Treino de Alto Rendimento e outro em Belas Artes. Escritor prolifero, já publicou vários livros de Poesia e de Ficção, além de vários ensaios e artigos científicos. neste momento exerce as funções de Chefe de Redação da Mercados Africanos.

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