Resíduos de arroz, uma verdadeira fonte de riqueza no Quénia

A casca de arroz, a camada externa que protege o grão e é removida durante o processo de descasque, é frequentemente descartada ou queimada pelas fábricas de processamento.

No Quénia, esses resíduos estão a tornar-se como um material de valor agregado numa variedade de aplicações, como combustível e fertilizante.

No Quénia, a casca de arroz, antes considerada um subproduto ou resíduo, agora é matéria-prima para muitos empresários.

Transformado em aglomerado de partículas, biocombustível ou insumo agrícola, gera riqueza em diversos setores da economia.

A região de Kirinyaga, uma das maiores produtoras de arroz do Quénia, lançou um projeto ambicioso para reciclar cascas de arroz em placas de conglomerado para substituir a madeira.

Os painéis, que podem ser usados ​​na fabricação de móveis e outros tipos de equipamentos, são mais baratos e mais densos do que o compensado convencional e a madeira serrada.

“Queremos criar uma fábrica de processamento de casca de arroz em Kirinyaga, o que colocará mais dinheiro no bolso dos agricultores e outros atores da cadeia de valor, criará empregos para milhares de jovens e mulheres e preservará o nosso meio ambiente”, disse a governadora da região, Ann. Waiguru ao quotidiano, Business Daily.

O arroz é produzido principalmente sob irrigação por pequenos agricultores e existem aproximadamente 300.000 produtores de arroz que ganham a vida com essa atividade.

Os resíduos da produção de arroz são volumosos e representam um grande desafio devido à falta de instalações de armazenamento e processamento. Reciclá-los em produtos derivados salva o meio ambiente e a economia local.

Usada como biofertilizante, a casca de arroz tem a capacidade de melhorar a aeração do solo, dizem os cientistas, devido ao seu teor de potássio e silício. Com isso, reduzem o uso de insumos, principalmente fertilizantes prejudiciais às plantas e à atmosfera.

Outra característica especial é que eles retêm dióxido de carbono no solo por muitos anos. Além disso, ajudam a reduzir o corte de árvores para combustível de cozinha.

Alex Odundo, um empresário baseado na região de Kisumu, transforma resíduos em riqueza ao fazer briquetes de combustível.

Para tal desenvolveu um forno especial para a utilização de biocombustíveis, não só para uso doméstico, mas também em escolas e hotéis.

“Um dos nossos objetivos é tentar promover a preservação do meio ambiente reduzindo o uso de lenha e aumentando o da casca que normalmente jogamos fora e queimamos”, explica.

O que antes era um desperdício permite, assim, trazer mais conforto às populações quenianas. Ao dar-lhe valor económico, governos e empresários estão a mudar a narrativa de que a casca de arroz é uma dor de cabeça para os agricultores e a indústria.

Um exemplo a seguir nos países grandes produtores de arroz, como a Guiné-Bissau.

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