Ao terminar 2020 e com os efeitos económicos da pandemia, muitos interrogam-se sobre o que vai acontecer ao continente? O crescimento de África chegou mesmo ao fim?

Quanto a nós, Mercados Africanos, acreditamos que o continente, tal como em outras ocasiões, saberá mostrar o que significa resiliência.

Para os que duvidam, convidamos a ler o que aconteceu num passado muito recente.

O PIB real em África cresceu a uma média de 5,4% entre 2000 a 2010 o que foi mais rápido do que os 3,3% por ano entre 2010 e 2015 com uma queda adicional para 1,6% em 2016, o nível mais baixo em mais de duas décadas.

Sabe-se que o preço das matérias-primas como o petróleo, minério de ferro, cobre, vários produtos agrícolas exportados pelo continente caíram a partir de 2015, após uma década e meia de alta, o que enfraqueceu não só as exportações e o valor das mesmas, mas também o investimento direto estrangeiro em vários países africanos e o aumento do divida pública. Paralelamente a queda das importações chinesas de África que coincide com a estratégia chinesa de desaceleração e um crescimento económico mais baseado em serviços e consumo em vez de indústria, tiveram também um impacto na desaceleração africana.

Mas esta realidade analisada de forma geral, escondeu o que se passou na economia do continente. O declínio abrupto do crescimento incide principalmente nas maiores economias e exportadores de matérias-primas, tais como a Nigéria ou Angola.

No entanto e dentro deste contexto desfavorável o crescimento económico em África continuou a demonstrar resiliência, apesar da fragilidade da economia global, da descida dos preços das matérias-primas e de condições climáticas adversas, em algumas zonas do continente. O crescimento económico em cerca de um quarto dos países africanos mostrou sinais de resiliência.

Etiópia, Quénia, Ruanda, Tanzânia e Uganda continuaram com taxas médias anuais de crescimento superiores a 5%. Alguns países, incluindo a Costa do Marfim e o Senegal, apresentaram até os melhores desempenhos. Com este ritmo, África continuou a ser a segunda economia com maior crescimento no mundo (a seguir à da Ásia emergente).

Um dos motores do crescimento, foi o consumo privado apoiado pela redução dos preços do petróleo e dos alimentos, bem como pelo crescimento das remessas dos imigrantes africanos. O investimento na construção, tanto público como privado, também continuou a ser um importante fator de crescimento tal como um ligeiro crescimento da indústria transformadora.

Os serviços, fossem eles o turismo, transportes, comércio, setor imobiliário, serviços públicos e financeiros assim como as novas tecnologias de informação e de telecomunicações continuaram a ser motores importantes da produtividade e do crescimento também continua a ser um importante fator de crescimento.

Assim, o crescimento africano foi, mais uma vez, baseado em fatores domésticos o que significa que a promoção do comércio e da integração regional assumiu, na altura e assumirá com a entrada em vigor da ZCLCA cada vez mais uma importância acrescida.

Outros fatores também contribuíram para essa resiliência. Por exemplo vários países africanos aperfeiçoaram as suas condições para fazer negócios.

Agora para a saída da crise pós pandemia, e sem descurar a importância da cooperação internacional,  África  deve contar com ela própria, deve escrever uma narrativa endógena, capitalizar na sua população jovem e criar as condições para que o dividendo demográfico venha a ter um impacto positivo na oferta da mão-de-obra, aumento da produtividade, no investimento, na eficiência laboral e na inovação, ou seja, criar valor acrescentado aos seus produtos de exportação, manufaturar e caminhar decididamente para a industrialização.

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