A implementação de medidas restritivas no território sul-africano, tomadas depois de este país ter registado uma nova variante da Covid-19, estão a provocar um cenário de caos e pânico na fronteira de Ressano Garcia, na província de Maputo, que estabelece a ligação terrestre entre Moçambique e a África do Sul.

O cenário é caracterizado por filas de camiões de carga, viaturas ligeiras, autocarros de transporte de passageiros que perfazem mais de 15 quilómetros e centenas de pessoas desorientadas na Estrada Nacional Número Quatro (EN4), que da acesso à zona fronteiriça.

A principio, ninguém sabia o que causava aquele congestionamento e alguns automobilistas abandonavam as suas viaturas para buscarem alguma informação sobre as causas do caos. É que não se circulava para a fronteira nem no sentido contrário.

Passageiros abandonavam os autocarros, para percorrer os últimos 15 quilómetros até à fronteira, afinal o destino é a “terra do rand”, de regresso ao trabalho, depois da quadra festiva junto de familiares e amigos.

Esta situação começou na tarde do dia 1 de Janeiro, quando iniciou o movimento de regresso de moçambicanos que trabalham na África do Sul e de turistas que atravessaram a fronteira para passarem a quadra festiva no país.

Nesse período as autoridades migratórias sul-africanas endureceram a fiscalização dos requisitos para a entrada naquele país, entre as quais a apresentação de um teste de Covid-19 válido ou a realização deste naquele posto fronteiriço, de Lebombo para o lado sul-africano.

Depois dos testes da Covid-19 na fronteira as pessoas aguardavam pelos resultados confinadas, numa “jaula” instalada pelos sul-africanos na chamada terra de ninguém, sem a observância de nenhuma medida preventiva, criando uma “bomba-relógio”.

O problema resulta, em parte, da entrada em vigor das novas medidas restritivas para conter a propagação do novo coronavírus, que estão em vigor desde 29 de Dezembro.

As novas medidas restritivas foram tomadas depois de aquele país ter registado uma nova variante da Covid-19, o que aumentou o alerta das autoridades locais, levando o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, a endurecer as medidas restritivas. Estas limitações incluem o encerramento de bares e a proibição de venda de bebidas alcoólicas.

Enquanto isso, do lado do posto fronteiriço de Ressano Garcia o caos prevalece desde o primeiro dia do ano. Homens, mulheres e crianças de todas as idades circulavam de um lado para o outro, alguns sem as mínimas condições para se alimentar ou beber água, esta última vendida a preços especulativos.

A 2.ª Companhia do 2.º Batalhão do 1.º Regimento da Polícia de Fronteira da província de Maputo era o único local onde estas pessoas tinham acesso à água grátis, daí as longas filas no acesso a esta unidade.

Algumas destas pessoas estão em Ressano Garcia há quatro dias em viaturas entaladas, não podendo ir para frente ou para trás. Outras há que traziam apenas dinheiro para transporte, confiantes de que voltavam ao trabalho, mas debalde. A localidade fronteiriça é o seu atual local de permanência.

Esta situação trouxe oportunidades de negócio para algumas pessoas, oportunismo, tristeza, solidão e carência para outras que não sabem se chegam a tempo de continuarem nos seus postos de trabalho naquele país vizinho.

As Alfândegas de Moçambique afirmam que até terça-feira tinham entrado no país 992 viaturas, das quais 802 estrangeiras e 192 nacionais. No sentido contrário, tinham saído 3300 carros, 3006 com chapa de matrícula estrangeira e 294 nacional.

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