“Para o desenvolvimento do sector privado o Estado precisa criar infraestruturas produtivas perímetros irrigados para a agricultura e pólos industriais devidamente infraestruturados. o Estado precisa mobilizar a banca comercial para apoiar esse desafio”

Contributo exclusivo para Mercados Africanos de Fernandes Wanda especialista em Economia Política do Centro de Investigação Científica, da Faculdade de Economia da UAN em Angola e investigador na SOAS, Departamento de Estudos e Desenvolvimento

Com o preço do barril de petróleo em constante oscilação, provocando uma constante deterioração da principal fonte de renda do Produto Interno Bruto, Angola enfrenta um dos períodos mais difíceis desde a sua independência há precisos 45 anos atrás.

A economia de Angola já não cresce há quatro anos consecutivos, e a pandemia provocada pela Covid-19 só agravou a difícil gestão das despesas públicas, e condicionou de certa forma os planos de pagamento da dívida externa junto aos principais credores.

Conversamos com o Fernandes Wanda especialista em Economia Política do Centro de Investigação Científica, da Faculdade de Economia da UAN em Angola e investigador de economias africanas na SOAS Universidade de Londres Departamento de Estudos e Desenvolvimento, para perceber o real contexto macroeconómico de Angola e sua evolução ao longo do período pós-guerra

O investigador considera que o contexto macroeconômico vivido por Angola mostra-nos que ter estabilidade macroeconômica não leva necessariamente a almejada “transformação estrutural” da economia uma vez que a economia angolana continua muito dependente das receitas do petróleo

Fernandes Wanda é de opinião que o estado deve orientar sem excessiva intervenção o processo de diversificação da economia angolana cuja responsabilidade está a ser atribuída ao sector privado, uma vez que estamos em presença de um estado cuja economia está ainda em transição.

A título de exemplo Fernandes Wanda aponta o PAC – Projecto de Apoio ao Crédito (PAC), inserido no Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição de Importações (PRODESI) ao qual foi alocada uma linha de crédito na ordem de 200 mil milhões de kwanzas para empréstimos a produtores nacionais, destinados a viabilizar a produção dos 54 bens da cesta básica e outros considerados prioritários.

O que se verificou é que os Bancos Comerciais que têm a responsabilidade de conceder estes créditos estiveram totalmente desalinhados com as políticas do executivo angolano, perpetuando práticas como a excessiva burocracia e demora na concessão e tratamento das solicitações de crédito aos produtores nacionais. Foi necessário o Banco Nacional de Angola emitir um instrutivo para definir prazos para responder às solicitações de crédito na banca comercial que gere maioritariamente as linhas de crédito disponíveis para apoiar o processo de diversificação económica tão desejada, explicou o investigador.

Para concluir o investigador diz que 45 anos depois de alcançar a independência, o potencial do sector produtivo fora do sector mineral continua inexplorado.

 Angola ainda tem um longo caminho a percorrer, e  tendo Angola um Presidente formado em História (antes de ser militar e político) o ideal é que  ele se dedique a perceber como alguns países  como o por exemplo o Japão, Coreia do Sul, Taiwan ou Singapura conseguiram atingir um alto nível de desenvolvimento apesar da forte concorrência dos países mais ricos como os  EUA, Alemanha e França.  Fazendo este exercício o Chefe do Executivo poderá perceber que para Angola ser um milagre económico tem que apostar na produção, para produzir tem que haver disciplina na execução dos planos. Para o desenvolvimento do sector privado o Estado precisa criar infraestruturas produtivas perímetros irrigados para a agricultura e pólos industriais devidamente infraestruturados. o Estado precisa mobilizar a banca comercial para apoiar esse desafio.

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