Ruanda vai construir caminho-de-ferro

Sem litoral e sem abertura para o mar, o Ruanda quer integrar o modal ferroviário no seu sistema de transporte tradicional. Um projeto de linha SGR conjunta também já está a ser desenvolvido com seu vizinho da Tanzânia.

O Zimbabué prestará assistência técnica ao Ruanda, que pretende adquirir a sua primeira infraestrutura ferroviária. Os dois países revelaram na semana passada que uma proposta de memorando de entendimento sobre o desenvolvimento de infraestrutura de transporte multimodal estava a ser considerada, tendo chegado a um acordo com os respetivos documentos assinados nesta quinta-feira, 9 de setembro 2021, em Kigali, capital ruandesa.

Recorde-se que os governos da Tanzânia e Ruanda estavam a negociar desde 2019 os contornos da construção da rede ferroviária comum de bitola normal (SGR) ligando o porto seco de Isaka, na Tanzânia, a Kigali, no Ruanda, mas que também servirá ao Burundi e à República Democrática do Congo.

Em termos de financiamento o Banco de Comércio e Desenvolvimento (TDB), braço financeiro do Mercado Comum para a África Oriental e Austral (COMESA), aprovou, já em 2019, um empréstimo a taxa reduzida de mil milhões de dólares para a implementação deste projeto de infraestrutura.

Esta colaboração, que se baseia na transferência de competências, visa dotar o Ruanda dos conhecimentos necessários para uma melhor implementação de dois projetos ferroviários, um dos quais já em desenvolvimento.

Projetados para serem construídos ao longo das duas principais vias de comércio do país, os dois empreendimentos formarão uma malha de 400 km. O primeiro está ligado à linha SGR da Tanzânia, uma rede ferroviária de 2.561 km partindo do porto seco de Isaka (Tanzânia), passando pelo corredor central até ao Ruanda e seguindo para a República Democrática do Congo através da cidade de Goma. Quanto ao segundo projeto, refere-se ao “corredor norte que liga o Ruanda ao porto de Mombasa via Quénia e Uganda”.

Segundo o Ministro das Infraestruturas do Ruanda, Claver Gatete, “o Zimbabué tem uma longa experiência de muitos anos neste domínio, tanto assim, que possui infraestruturas próprias onde fabrica alguns dos equipamentos utilizados na manutenção dos caminhos-de-ferro.

A parceria leva em conta, entre outros aspetos, “formação na construção, manutenção e gestão de transporte ferroviário”.

Aqui está um excelente exemplo de cooperação intra-africana na conceptualização, financiamento e execução de um projeto de grande envergadura, não só em matéria de infraestrutura, mas também de grande impacto económico.

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