Salimo Abdula, Presidente da CE-CPLP em exclusivo para Mercados Africanos

Financiamento do BAD, 400 milhões de euros, deve ser direcionado para tecnologias.

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) anunciou recentemente aprovação do Programa de Garantia do Compacto Lusófono, que disponibiliza garantias financeiras de 400 milhões de euros para investimentos nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

O programa de investimentos será aplicado entre 2021 e 2025, permitindo a diversificação e o crescimento do conjunto de operações não soberanas a médio e longo prazo bem como impulsionar a iniciativa privada e não o investimento público.

Trata-se de um Compacto que vem sendo discutido há anos entre o BAD e os países da lusofonia. Para Salimo Abduda, Presidente da Confederação Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CE-CPLP), este dinheiro abre grandes perspetivas para o sector privado que é o motor de desenvolvimento para as economias e a sociedade dos PALOP.

A expectativa do empresário Salimo Abdula é que o sector empresarial direcione os 400 milhões de euros da BAD para tecnologias por forma a impactar no desenvolvimento sócio-económico, garantindo, sobretudo, a geração de empregos.

Conhecedor do sector empresarial dos PALOP, Salimo Abdula acredita que o valor poderá ser investido nas áreas de tecnologias para revolucionar as áreas de “agro-indústria, energia e desenvolvimento de infra-estruturas para o turismo”.

Os critérios para ter acesso ao fundo passam necessariamente por a empresa ser registada e regularizada, assim como ter contas auditadas e possuir programas aliciantes que vão de encontro com os objetivos de desenvolver os seus países.

Salimo Abdula reconhece que 400 milhões de euros para seis países não é muito dinheiro, sobretudo numa altura em que o mundo atravessa a pandemia do novo coronavírus, em que o sector empresarial foi gravemente afetado. A expectativa do Presidente da Confederação da CPLP é que o Banco Africano opte por uma política de juros atrativos, diferentemente do que se pratica atualmente  na banca comercial.

O Presidente da CE-CPLP disse que faz todo sentido que haja uma linha de financiamento para os PALOP, embora os países tenham as suas desigualdades. “Penso que faz sentido e esse financiamento vem no cumprimento dessas necessidades que têm sido colocadas pelo sector privado e os governos não têm tido a capacidade de criar linhas de crédito por si próprios. Eles têm seus desafios, prioridades, então esta é uma resposta à esta solicitação do sector privado dos PALOP”.

Numa altura em que o mundo atravessa a pandemia da Covid-19, Salimo Abdula disse que o dinheiro chegou num bom momento. “Esta resposta à esse problema que o BAD nos dá é um caminho e uma ferramenta que pode aliviar as empresas que tiverem acesso a esses fundos”.

Refira-se que a linha de financiamento de 30 milhões de euros, ao abrigo do Compacto, gerida pelo BIC em Moçambique ainda não está em funcionamento. A expectativa de Salimo Abdula é que entre no ano que vem.

Ano desafiante

Salimo Abdula explicou que 2020 foi um ano desafiante para Moçambique. “Temos problemas de conflitos armados, subdesenvolvimento para além das calamidades do ano passado. Mas graças a Deus conseguimos gerir situações mais graves. Esperamos que no próximo ano não tenhamos um impacto ainda mais negativo desta pandemia”.

Ao nível dos PALOP, Salimo Abdula afirmou que o sector privado deve continuar a monitorar e ter perícia na gestão, redução de custos, corte de “gorduras” relacionadas à empresas, por forma a evitar que sectores como aviação civil, turismo e hoteleiro que mais se ressentiram não voltem a entrar em crise.

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