Um empresário talhado pela dedicação e persistência

Acionista maioritário da Intelec Holdings, um grupo empresarial que atua nos ramos de Energia, Publicidade, Turismo, Banca e Finanças, Recursos Minerais, Telecomunicações, Imobiliária e Consultoria, Salimo Abdula é um empresário moçambicano que preside, desde 2013, a Confederação Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CE – CPLP). Vencedor do prémio “Euroknowledge Leadership Award 2020”, um dos maiores reconhecimentos anuais a individualidades que se destacam nas suas realizações e contributo nos sectores empresariais e desenvolvimento humano, em áreas como saúde, educação, ambiente liderança e responsabilidade social corporativa, Salimo Abdula abriu-se, a Mercados Africanos, para falar da sua trajetória empresarial de sucesso a que considera ser resultado de muito trabalho, dedicação e persistência, com passagens pelo desporto, política e associativismo.

MERCADOS AFRICANOS (MA): Quem é o empresário Salimo Abdula?

Salimo Abdula (SA): Sou um moçambicano, nascido a 18 de Junho de 1963 na Zambézia, precisamente na cidade de Quelimane. Vim de uma família humilde que graças a pequenos apoios conseguiu nos por a estudar, formar-se e trabalhar até tornar-se um empresário. Vivi em várias partes do país, como Ilha de Moçambique, em Nampula, Beira, em Sofala e na capital do país, Maputo, onde estou baseado. Comecei a ganhar a vida muito cedo, com 13 anos de idade praticava basquetebol e para ajudar a família, depois dos treinos fazia “part time” numa confeitaria e bar junto ao Cinema Águia, em Quelimane, onde fechava contas ao final do dia e recebia uma avença a cada fim do mês, valor suficiente para mim e a família.

MA: Como chega a área empresarial?

SA: A minha primeira empresa foi a Iluminate na Beira, onde estudava e fazia pequenos trabalhos até meados de 1981. Depois dos estudos, nesse mesmo ano, fui colocado na Direção Provincial do Comércio Externo em Maputo. Um desses dias, uma antiga colega telefonou a informar essa companhia tinha sido abandonada e que se tivesse interesse poderia propor a sua compra. Fiz a proposta a 400 meticais, dinheiro que possuía na altura. Já de regresso a Beira apercebi-me que a Iluminate tinha passivos e trabalhadores por assumir, mas mesmo abalado não podia fazer mais nada, pois havia assumido a empresa. Reuni os trabalhadores e propôs que começassem laborar com os poucos recursos e, em dois anos, graças ao empenho e dedicação conseguimos tornar a empresa viável. (Risos) daí seguiu-se a Eletro Sul, inicialmente com uma pequena fração, e depois na totalidade. Depois, formei a Intelec que, de forma paulatina, foi se afirmando através de participações ou aquisição e gestão de empresas dos ramos Energia, Publicidade, Turismo, Banca e Finanças, Recursos Minerais, Telecomunicações, Imobiliária e Consultoria. Infelizmente essa actividade chegou a ser associada a questões políticas.

MA: Em que circunstâncias isso ocorre?

SA: Entre 1992 e 1994 o Estado moçambicano abre-se para várias opiniões e os empresários começaram a entrar para o sistema político, como forma de darem o seu contributo na esfera do debate. Nas primeiras eleições multipartidárias fui convidado a concorrer como deputado da Assembleia da República, pelo partido Frelimo, e fui eleito. Fui deputado de 1994 a 1999, do circulo eleitoral da Zambézia, onde nasci. Nas eleições de 1999, fui reeleito deputado, mas pedi para sair porque na área empresarial estava a atravessar maus momentos, que chegaram a fazer a minha esposa, Maria de Assunção Coelho Abdula, a abandonar curso de Medicina que frequentava para ajudar a cuidar das empresas.

MA: É assim que chega a presidência da CE – CPLP?

SA: Não, antes disso participei no desenvolvimento institucional e dinamização da Associação Comercial de Moçambique (ACM), e da Confederação das Associações de Económicas de Moçambique (CTA). liderei as duas organizações, entre 2005-2008, e 2008-2011, onde sustentei a procura de alternativas para a melhoria do ambiente de negócios, face a burocracia e formalidades excessivas que encareciam o custo para desenvolvimento de negócios em Moçambique. Também presidi o Conselho de Administração da Vodacom Moçambique, empresa onde a Intelec Holdings detém uma percentagem, no âmbito da presidência rotativa dos acionistas.

MA: Então teve apoio destas organizações para se lançar na CE – CPLP?

SA: Pode ser porque enquanto representante da CTA candidatei-me à presidência da Confederação Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em 2013, e a minha lista foi eleita com os nove votos da organização. Fui reeleito para um segundo mandato e acredito que tal feito deveu-se ao facto de a minha candidatura sustentar-se na ideia de este órgão instalar uma capacidade de influenciar a CPLP a transformar-se numa organização mais económica, para dar alguma solidez às relações linguísticas e culturais, tornando-se uma organização onde a mobilidade de pessoas e bens é uma realidade, onde se estabelece um mercado livre e as transações sejam cada vez mais facilitadas e o desenvolvimento comum dos estados-membros sejam uma realidade.

MA: E qual é a sua visão para o desenvolvimento do empresariado da CPLP?

SA: Primeiro precisamos convencer os líderes políticos a perceberem a importância da livre circulação de pessoas e bens, dos mercados livres a nível da organização. Isso vai permitir que os outros blocos regionais assumam que a CPLP têm facilidades na promoção de investimentos e no acesso aos mercados. Vai potenciar o desenvolvimento da indústrias nos países membros, estimulando a exportação de produtos manufaturados e não matéria prima não processada, tal como acontece sobretudo com os Países Africanos de Língua Portuguesa e não só. Mas sobretudo, é preciso que os empresariado assumo que é nos princípios da perseverança, da dedicação, honestidade e integridade nos negócios que o sector vai crescer.

Salimo Abdula durante a entrevista com Alcides Tamele.

Fotografias por: Gerónimo Mulanga

1 COMENTÁRIO

  1. Grande empresário mas, o leite e o tomate que ele consome vem do estrangeiro. Temos muitos empresários como ele, a maioria. São empresários especialisados apenas em serviços. Produtos? É só importar. É por isso que a nossa balança de pagamentos é eternamente deficitária….

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