A Shell vai efetuar uma perfuração no bloco 6 da zona económica exclusiva (ZEE) de São Tomé e Príncipe no segundo semestre de 2021, anunciou na capital deste país africano, o seu representante, Eduardo Rodrigues.

Eduardo Rodrigues esteve na capital são-tomense durante uma semana e teve vários encontros com o primeiro ministro Jorge Bom Jesus, o presidente da Assembleia Nacional (parlamento), Delfim Neves e com o ministro dos recursos naturais e ambiente, Osvaldo Abreu, os quais anunciou a intenção da sua empresa de efetuar a perfuração neste bloco.

O bloco 6 da ZEE de São Tomé e Príncipe tem a petrolífera portuguesa Galp como operadora e a americana Kosmos Energy, a Shell e o Estado são-tomense, representado pela Agencia Nacional de Petróleo, como participadas.

“A Galp, enquanto operadora é que deveria fazer a perfuração, mas atendendo a sua capacidade técnica limitada nessa matéria de perfuração, então a Shell assumiu fazer os furos”, disse a Marcados Africanos, o diretor técnico da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Fausto Vera Cruz.

O bloco 6 da zona económica exclusiva tem uma profundidade de cerca de 2500 metros e cobre uma área de 5023 quilómetros quadrados. Os custos da perfuração podem rondar entre 70 e 80 milhões de dólares.

Não fosse por causa da pandemia, nessa altura já estaríamos a receber no nosso porto as maquinaria necessárias para estas perfuração”, lamentou Fausto Vera Cruz.

A empresa americana Kosmos Energy vai, entretanto, abandonar a favor da Shell cinco dos seis blocos de petróleo onde é operadora ou tem direitos de participação. São, designadamente os blocos 6,10, 11, 12 e 13, ficando apenas com o bloco 5.

Os direitos da Kosmos em todos estes bloco passarão a ser adquiridas pela Shell, estando, segundo Fausto Vera Crus, “as negociações já bastante avançadas”.

“A Kosmos vai ficar apenas com o bloco 6 onde é operadora. Decidiu abandonar todos os outros porque com a pandemia da Covid-19 os investimentos ficaram muito mais elevados e os riscos também”, explicou o diretor técnico da ANP.

São Tomé e Príncipe tem 19 blocos de petróleo na sua zona económica exclusiva e a petrolífera americana tinha direito de exploração em seis. Mas agora vai passar para a Shell todos os direitos nesses blocos.

“Ainda é muito cedo para falarmos dos resultados das pesquisas sísmicas, ainda estamos a analisa-los, mas os primeiros dados recolhidos parecem ser promissores” referia Jon Kappon, vice-presidente e diretor-geral para São Tomé e Príncipe da Kosmos Energy.

As pesquisas feitas pela Kosmos abrangeram uma área de 16 mil quilómetros, considerada o maior programa sísmico realizado na África ocidental. Fonte da empresa disse que as pesquisas já efetuadas revelam “dados positivos”.

Mas a pandemia de Covid-19 fez recuar todo o processo, mesmo apesar dos responsáveis da empresa considerarem que ainda não tinham garantias de existência de crude em quantidade comercial nestes blocos.

As autoridades de São Tomé defendem que mesmo avançando para as perfurações, isso ainda não garante a exploração de petróleo, porque serão necessários estudos adicionais para definir a quantidade do produto encontrado, bem como do impacto ambiental.

A verdade é que as expetativas quanto a exploração do ouro negro em São Tomé são enormes. Neste ano de 2020 estavam previstas pelo menos duas perfurações, mas a pandemia veio alterar toda a programação.

Há dois anos, o ministro das obras públicas, recursos naturais e ambiente no governo de Patrice Trovoada, Carlos Vila Nova defendeu que o seu país deveria preparar-se para entrar na fase de exploração petrolífera.

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