O governo de São Tomé e Príncipe vai lançar ainda neste semestre, um concurso público internacional para a construção de pelo menos três centrais hidroelétricas e uma rede de produção de energia fotovoltaica em painéis solares, num investimento global que pode rondar 100 milhões de dólares.

Em entrevista exclusiva ao Mercados Africanos (MA), o ministro das Infraestruturas, recursos naturais e ambiente, Osvaldo Abreu disse que o seu país tem um consumo atual de energia elétrica que oscila entre 18 e 22 megawatts, mas em 2025 este consumo quase vai triplicar para 50 megawatts e em 2030 vai aumentar ainda mais para cerca de 100 megawatts.

Osvaldo Abreu explicou que existem vários projetos em execução no seu país, designadamente a construção de dezenas de apartamentos sociais, infraestruturas hoteleiras, alargamento da pista do aeroporto e a requalificação do terminal de passageiros e outros empreendimentos que nos próximos anos vão precisar de energia elétrica para seu funcionamento.

“Foi no início de 2018 que nós tomamos com muita preocupação e seriedade a problemática de produção energética no nosso país, com particular ênfase na alternativa sustentável e renovável”, disse Osvaldo Abreu.

O ministro referiu também que “trabalhos vêm sendo feitos” e “os resultados já conseguidos” nesta matéria, atrasaram-se, entretanto, devido “a vicissitudes provocadas pela pandemia” da Covid-19 e alguma morosidade com que o Banco Mundial que assessora o executivo neste projeto está a tratar este dossier. De contrário o concurso público já teria sido lançado.

“Temos parcerias bastante consolidadas com organismos internacionais, designadamente o Banco Mundial, diferentes agências das Nações Unidas, com as empresas petrolíferas, outras instituições internacionais ligada a energia renovável, incluído a EDP renovável de Portugal que para além de estar interessada em desenvolver projetos de produção de energia solar na ilha do Príncipe, também já deu a sua contribuição no desenvolvimento de estudos exploratórios sobre a capacidade do país de produzir esse tipo de energia”, disse Abreu.

O ministro das Infraestruturas, recursos naturais e ambiente referiu que o seu governo gasta todos os anos mais de 25 milhões de euros com o funcionamento e manutenção dos vários grupos geradores instalados em três centrais térmicas no país, para manter a produção de energia elétrica, o que é incomportável para um pequeno país com economia bastante frágil.

“Os projetos que nós vimos desenvolvendo e que concebemos a sua implementação já para este ano envolvem aplicações energéticas renováveis hídricas e solares. A nossa aposta na energia renovável justifica-se porquanto o investimento que temos de fazer para manter a produção térmica tendo em conta a nossa parca finança e as diferentes prioridades que o governo e o país têm”, explicou o governante.

“Nós estamos a falar de um setor que nos consome qualquer coisa como 3 a 4 milhões de euros por mês com a aquisição e consumo de combustível diesel para os geradores, o óleo que também é necessário para essa mesma produção e diferentes consumíveis. Estes números sem contar com o montante necessário para a manutenção periódicas das máquinas que também rondam 2 a 3 milhões de dólares por ano. Se nós colocarmos tudo numa mesma equação estaríamos a falar de 24 a 30 milhões de dólares por ano, só para mantermos a produção energética térmica no nosso país”, acrescentou Osvaldo Abreu.

São custos financeiros muito elevados que o governo considera que deve “de todas as formas procurar alterar”. Daí a necessidade de investir no setor energético, mas na da produção de energias renováveis.

Os investimentos serão, segundo o ministro, na vertente fotovoltaica, havendo já “propostas e projetos de diferentes interessados privados” que pretendem investir no setor, no âmbito da lei de exploração de energia que permite a entrada de privados no ramo.

“Analisamos vários projetos e selecionamos alguns deles e neste momento já temos engajamento feito para a sua implementação ou início de implementação ainda neste primeiro semestre”, sublinhou o governante.

O anúncio da implementação em São Tomé e Príncipe de investimento no setor de produção de energia renovável já havia sido feito pelo ministro durante a discussão do Orçamento Geral do Estado (OGE) em janeiro passado. Mas o processo conheceu algum atraso aqui explicado por Osvaldo Abreu:

“Tivemos um atraso em relação a implementação deste projeto porque a decisão para se avançar com estas ações remonta a setembro de 2019, quando no meio da crise de abastecimento e fornecimento de eletricidade, mais a crise de abastecimento de combustível ao nosso país pela nossa parceira Sonangol, o Estado decidiu a nível do Conselho de ministros avançar rapidamente com conversações”, explicou o ministro.

Essas conversações, de acordo com o ministro, resultaram em compromissos com empresas de vários países, nomeadamente Portugal, Alemanha, Espanha, Estados Unidos da América e Brasil.

Para se chegar a esses compromissos com as empresas foi necessário um ano de espera do Banco Mundial que impõe regras no investimento estrangeiro privado no país e reestruturação do setor energético.

“Estamos razoavelmente satisfeitos porque conseguimos levar ao entendimento do nosso parceiro Banco Mundial a necessidade de implementação mais rapidamente possível destes projetos”, congratulou-se o ministro.

Osvaldo Abreu garantiu que “neste momento as condições estão criadas”, e as empresas “estão prontas a partirem para o terreno e começarem a desbravar os espaços disponibilizados e começarem a implementação de energia fotovoltaica”.

Manuel Barros

(a continuar – veja a segunda parte da entrevista)

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