O presidente de São Tomé e Príncipe, Evaristo Carvalho classificou os efeitos da pandemia de Covid-19 sobre a economia do seu país como tendo sido o mais “duro” de todas as outras enfermidades que o arquipélago conheceu durante 45 anos como nação independente.

Em mensagem à nação por ocasião do fim do ano o chefe de Estado são-tomense disse que “a pandemia de covid-19 foi o acontecimento mais crítico na historia” do pequeno arquipélago  “desde de 12 de julho de 1975”.

“Marcou o ano (2020), a saúde e a economia, de forma severa”, sublinhou o presidente de São Tomé e Príncipe.

Evaristo Carvalho referiu-se a vários outros acontecimentos “particularmente difíceis” que abateram sobre o como país independente, a longo de 45 anos, para estabelecer comparação com a pandemia de Covid-19 que considera a mais “críticas”.

A peste suína africana que em finais dos anos 70 “dizimou o efetivo porcino”, a grande seca de 1983 “de que resultou em graves carências alimentares”, as várias epidemias de cólera, entre as quais “a de meados dos anos 80 que ceifou várias vidas”, bem como os surtos epidémicos de paludismo, de “elevada morbilidade e mortalidade” e outras “catástrofes”, como os vários naufrágios de navios durante as ligações marítimas entres as duas ilhas e entre São Tomé e Gabão foram lembrados pelo chefe de estado.

Mas referiu que nenhum deles podem ser comparados com os efeitos da pandemia de Covid-19 que começou em fevereiro mas os primeiros contágios só foram anunciados em meados de março.

O chefe de estado são-tomense fez uma mensagem a nação de 12 páginas, quase toda ela virada para a Covid-19. Lembrou que por causa da doença as autoridades foram “forçadas a adotar medidas drásticas” como encerramento, por longo período, dos estabelecimentos de ensino, igrejas, unidades hoteleiras, restaurantes e bares, discotecas e outros centros de diversão, incluindo a administração pública e o comércio de bens não essenciais.

“A economia ficou paralisada”, acrescentou o presidente da republica, recordando “um  numero considerável de cidadãos” que a pandemia levou para o desemprego e outro “numero considerável” de empresas e de micro empresas que “foram duramente atingidas”.

“Produtores de cacau tiveram sérias dificuldades na comercialização dos seus produtos, a frágil economia das vendedeiras e dos trabalhadores informais em geral foi severamente abalada”, referiu Evaristo que enalteceu as ajudas internacionais que “permitiram ao governo adotar medidas de apoio a empresas e familiares”.

O presidente da republica enfatizou que “2020 foi, portanto, um ano de grande desafios, um ano muito difícil para todos”, mas não concordo com a ideia de que 2020 “foi um ano para esquecer.

“Foi um ano duro, é certo, mas um ano de ensinamentos e de descobertas”, defendeu, justificando que foi  um ano de ensinamentos porque o impacto da pandemia na economia “mostrou-nos que devemos apostar fortemente na diversificação de fontes de receitas e na conversão progressiva da economia informal numa economia moderna e organizada”.

Defendeu, por outro lado tratar-se de um ano de descoberta porque “o isolamento do país, imposto pela pandemia mostrou-nos com acuidade que as nossas estruturas sanitárias são muito frágeis”.

Manifestou-se orgulhoso com o que considera de “mobilização social de envergadura” para fazer face ao novo coronavírus, sublinhando que o país vai precisar também dessa mobilização para “resgatar a economia e relançar o desenvolvimento”.

“Há que manter a mobilização tanto das diversas camadas sociais da população, como dos nossos parceiros internacionais, para conseguirmos angariar os recursos necessários à reconstrução da nossa economia, o principal dos quais é o envolvimento responsável de todos nós”, defendeu na mensagem.

Exprimiu “profundo reconhecimento” ao Brasil, Cuba, Gabão, Gana, Guiné Equatorial, Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional, Nações Unidas, União Europeia e ao empresário chines Jack Ma e a sua fundação Ali Babá por todo o apoio dado no combate e contenção da propagação da infeção.

Evaristo Carvalho alertou que 2021 não será um “ano de descanso” apesar da situação pandémica estar “calma”, acrescentando que “as diferentes medidas de prevenção contra a Covid-19, incluindo a vacina são importantes, o desenvolvimento dos sistema nacional de saúde é imperativo”.

Pediu a colaboração dos parceiros para ajudar o país a construir uma unidade sanitária “de referencia, moderna” que o chefe de estado considera “urgente e inadiável”.

“Instou o executivo a “dar passos concretos” no ano que inicia com vista a restaurar a autoridade do Estado e reforma na administração publica e aproxima-la mais dos cidadãos.

“A economia, seriamente abalada pela pandemia tem que passar em 2021 por um processo de reorganização e dinamização, a fim de vermos aumentada a riqueza nacional, tendo em conta a grande perda sofrida em 2020”, concluiu Evaristo Carvalho.

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