Nesta segunda parte da entrevista exclusiva ao Mercados Africanos (MA) foi-nos divulgado que uma outra componente do projeto de eletrificação do país projetado pelo governo do primeiro-ministro Jorge Bom Jesus prende-se com a produção de energia hídrica renovável.

O ministro das infraestruturas, recursos naturais e energia, Osvaldo Abreu explicou ao Mercados Africanos (MA) que estão definidas para esta área de investimento a construção de pelo menos quatro barragens, sendo duas sobre o maior rio do país, o Yô Grande, situado a sul da ilha de São Tomé, uma no Norte, sobre o segundo maior, o rio Lembá, uma terceira sobre o rio Abade, também no sul e a quarta sobre o rio Xufi-Xufi.

A projeção é de que essas barragens produzam pelo menos 20 megawatts de energia.

“Devo dizer também que o nosso cuidado com o ambiente é importantíssimo, para não dizer primário, uma vez que nós dependemos desta linda natureza de que desfrutámos. Apesar de nós precisarmos de produção energética e termos a sorte de contar com uma imensidão de linhas de água (rios) nas nossas ilhas, temos que fazer tudo em consonância com o nosso equilíbrio ambiental e ecológico”, lembrou o ministro.

Esse facto levou, segundo Osvaldo Abreu, a que o investimento nesta área fosse “um bocadinho mais lento”.

“Mas nesse momento já concluímos os estudos de viabilidade técnico-económica para a implementação dos potenciais aproveitamentos hídricos e também desenvolvemos os estudos ambientais que já está em consulta pública para que a breve trecho possamos fechar este processo e lançar ao público o concurso internacional para aqueles que queiram explorar as vertentes hídricas de produção energética disponíveis nos estudos que nós concluímos com a parceria habituais dos nossos apoiantes e neste quadro específico, as diferentes organizações da Nações Unidas”, adiantou o governante.

De acordo com o ministro das infraestruturas, recursos naturais e energia, tudo está programado para que no decorrer destes dois a três meses se lance o concurso público internacional para as empresas interessadas.

“Pode ser mais um mês, menos um mês, mas neste momento nós temos as coisas já organizadas, mas como sabe, nós trabalhamos em concertação e algumas organizações internacionais são um pouco lentas, tendo em conta os pormenores próprios das suas regras internas. Muitas vezes queremos “correr” um bocadinho mais, mas não conseguimos porque para não perdermos esta coordenação e este apoio”.

“Por vezes nós ficamos um bocado “amarrados”, mas esta é a regra de viver em comunidade e fazer trabalho de equipa”, disse Osvaldo Abreu, que sublinhou, no entanto que o seu governo “está comprometido” e tem “empresas ambientais internacionais a trabalharem connosco, a fazerem a supervisão daquilo que vai acontecer”.

“Particularmente ao nosso parque Ôbô onde existem projetos muito bons para a implementação da produção de energia hídrica, através da construção de barragens”, disse o ministro, que define qual será a capacidade de produção das barragens projetadas”.

“Nós já temos os estudos de viabilidade técnica e económica e de viabilidade ambiental. As duas ações juntas trouxeram algumas limitações e ao mesmo tempo algumas recomendações”.

“Para a primeira fase nós queremos alcançar 10 a 12 megawatts, contando com as centrais que serão lançadas ao concurso sobre o rio Yô Grande que são pelo menos duas, e aquilo que o estudo ambiental em particular permite, para protegermos também a nossa biodiversidade. Sobre o rio Abade e também sobre o rio Lembá, na zona norte”, explicou Osvaldo Abreu.

Mencionou também projetos de construção de outras barragens sobre o rio Xufi-Xufi, sobre o rio Papagaio, na Região Autónoma do Príncipe, bem como outras “míni micros centrais que estariam numa segunda fase”.

“Estamos em crer que nos próximos anos o potencial hídrico do nosso país de produção energética deverá aumentar em pelo menos 20 megawatts”, garantiu Osvaldo Abreu.

Mas lembra o que considera de “algumas vicissitudes” da produção desse tipo de energia que fica muitas vezes dependente do ambiente, o que, segundo o ministro, “implica, muitas vezes investimentos adicionais”, tomando como exemplo as baterias para que “o consumidor não se veja afetado com o estado do clima.

Manuel Barros

(ver a primeira parte da entrevista)

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