Sem segurança não há investimentos, afirma Adesina.

“Temos de pensar não só em termos militares, temos de ligar as questões de segurança ao investimento, crescimento e desenvolvimento”, enfatizou o presidente do BAD ao falar na quarta edição do Fórum de Resiliência em África que começou em Abidjan, nesta terça-feira, 29 setembro 2021, segundo comunicado lido por Mercados africanos

Este evento emblemático do Banco Africano de Desenvolvimento reúne as principais partes interessadas desde governos, sociedade civil, setor privado e parceiros internacionais, para refletir sobre as iniciativas de prevenção de conflitos, paz e construção do Estado no continente.

Numa das sessões, o debate centrou-se sobre o relacionamento entre as necessidades de investimento no desenvolvimento e as despesas orientadas para mitigar a insegurança, especialmente nas que impactam nas restrições fiscais, enquanto na outra, concentrou-se na adaptação climática.

Neste contexto, estima-se que 39 milhões de africanos podem cair na pobreza extrema este ano, como resultado da pandemia, numa altura em que os países enfrentam custos fiscais mais altos, reduzindo a capacidade dos investimentos essenciais necessários para cumprir ambições como as estipuladas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

Amadou Hott, Ministro da Economia, Planeamento e Cooperação do Senegal, compartilhou alguns dos sucessos de seu país que podem ser úteis na crise atual.

O Senegal adotou um quadro jurídico que prevê parcerias público-privadas flexíveis e seguras e sublinhou que a crise “lembrou-nos da necessidade de reorganizar as nossas prioridades, de fortalecer a proteção social das nossas populações e de estabelecer um desenvolvimento mais endógeno”.

O presidente do Banco Africano de Desenvolvimento, Akinwumi Adesina, destacou o trabalho do Banco no financiamento climático e projetos verdes de referência, incluindo o programa de energia solar “Desert to Power” de 20 mil milhões de dólares, que fornecerá energia limpa para 250 milhões de pessoas em 11 países da região do Sahel.

Ao falar sobre o impacto da insegurança nos investimentos, Adesina pediu que “Os bancos de desenvolvimento multilateral acordassem e reconheçam o problema da insegurança, e encontrem novos instrumentos para ajudar os países a mitigar os riscos porque os recursos, por si só, não são suficientes”.

“Em toda a África, os gastos crescentes em defesa e segurança fazem diminuir cada vez mais o financiamento do desenvolvimento em serviços essenciais, como educação, saúde, água, saneamento e moradia acessível … Isso compromete a resiliência de longo prazo necessária para se recuperar melhor”, disse Adesina.

“O Banco trabalhará em estreita colaboração com os países do continente na emissão de títulos de dívida especificamente orientados para enfrentar as causas profundas da insegurança, a fim de proteger os investimentos e os meios de subsistência”, acrescentou ele.

“Estamos a criar um índice de títulos de investimento em segurança, que vai permitir mobilizar recursos dos mercados de capitais a taxas de juro baixas com quatro objetivos principais: reforçar a arquitetura de segurança, reconstruir projetos de infraestruturas, recriar a infraestrutura social, como água, educação e escolas, e por último garantir que em todo o continente há boa proteção e sistemas de defesa à volta das áreas de investimentos estratégicos”, disse a terminar Adesina.

Por seu lado Moussa Faki Mahamat, Presidente da Comissão da União Africana, enfatizou que a riqueza de recursos naturais do continente e a solidariedade histórica podem “estabelecer as bases para a resiliência.”

O painel de segurança contou com a presença de Abebe Aemro Selassie, Diretor do Departamento de África do Fundo Monetário Internacional, Jean-Claude Kassi Brou, Presidente da Comissão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

Também participou Adriano Afonso Maleiane, Ministro da Economia e Finanças de Moçambique, cujo país tem sido atingido pelos desafios climáticos e de segurança e que reafirmou: “Hoje, gastar em segurança é igual a investimento. Sem segurança não há nenhum investimento, nenhum crescimento, nada.”

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