O presidente francês Emmanuel Macron não tem medo de tabus. “Constato que, na nossa sociedade, ser branco cria condições objetivas que são mais fáceis de aceder ao meu emprego, de ter alojamento, de arranjar trabalho, do que ser asiático, negro ou magrebino, ou uma mulher asiática, negra ou magrebina”, declarou o presidente mais jovem da quinta república em entrevista ao L’Express.

Nada mais foi preciso para que o debate não se acendesse em um país onde o politicamente correto não permite diferenças de tratamento entre os cidadãos da república assimilados e iguais em deveres e direitos.

Refletindo sobre o assunto, Elisabeth Moreno, Ministra da Igualdade entre Mulheres e Homens, admite a existência deste famoso “privilégio branco”.

“Já trabalhei em todos os quatro continentes do nosso planeta. Tenho frequentado o Norte, o Sul, o Leste e o Oeste. Obviamente que existe um privilégio branco”, disse sexta-feira, 25 de dezembro no LCI a ministra de origem cabo-verdiano, aliás duramente criticada nas redes sociais pela sua suposta “ingratidão” para com a França que lhe deu tudo.

O presidente Emmanuel Macron fez uma rara admissão, dizendo que o privilégio dos brancos é um fato na França, um país frequentemente acusado de ter uma abordagem discriminatória em relação às minorias em diferentes partes do mundo.

Numa entrevista com a L’Express na terça-feira (22/12), respondendo a uma pergunta sobre se ele considera ser um homem branco com menos de 50 anos um privilégio, Macron disse: “É um fato. Mas observo que, na nossa sociedade, ser branco cria condições objetivas que são mais fáceis de aceder ao meu emprego, ter moradia, encontrar um emprego, do que ser um homem ou mulher asiática, negra ou magrebina. (Norte de África). “

E acrescentou que “ser um homem branco pode ser visto como um privilégio”, embora outros fatores como trabalho árduo e mérito desempenhem um papel.

Os comentários de Macron como chefe de estado de um país europeu com grande poder membro do Conselho Permanente das Nações Unidas, ocorrem num momento em que há protestos globais sobre questões raciais alimentados por campanhas como o movimento Black Lives Matter e valida o que ativistas de direitos humanos vêm denunciando há anos: em nome da igualdade, as leis francesas tornaram as minorias “invisíveis”, tornando-as vulneráveis ​​à discriminação.

Uma lei de 1978 proíbe a coleta de dados sobre “raça, etnia e filiação religiosa”. Como resultado, não há números sobre a população muçulmana, negra ou minoritária, nem políticas separadas para sua ascensão socioeconômica.

Uma pesquisa do governo de 2010 sobre a diversidade populacional para examinar o acesso dos imigrantes aos recursos constatou “a cor da pele, seguida de origem e religião, como as principais fontes de estigma e racismo no país e sociedade francesa “.

Os legisladores franceses, que só reconheceram a escravidão como um crime contra a humanidade em 2001, votaram para remover a palavra “raça” dos livros jurídicos do país em 2013 porque argumentaram que raça é uma construção social inventada. Em 2018, a palavra “raça”, mencionada apenas uma vez na Constituição, foi excluída e oficialmente substituída por “sexo”. O artigo agora garante a igualdade de todos os cidadãos perante a lei, independentemente de sua origem, sexo ou religião, ao invés de raça.

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