“Ser branco cria condições objetivas mais fáceis para aceder ao trabalho e ao alojamento, do que ser asiático, negro ou magrebino ou mesmo sendo uma mulher asiática, negra ou magrebina”

Declarou o presidente francês Emmanuel Macron, sem medo de tabus em uma entrevista ao L’Express.

Nada mais foi preciso para que o debate não se acendesse em um país onde o politicamente correto não permite diferenças de tratamento entre os cidadãos da república assimilados e iguais em deveres e direitos.

Refletindo sobre o assunto, Elisabeth Moreno, Ministra da Igualdade entre Mulheres e Homens, admite a existência deste famoso “privilégio branco”.

“Já trabalhei em todos os quatro continentes do nosso planeta. Tenho frequentado o Norte, o Sul, o Leste e o Oeste. Obviamente que existe um privilégio branco”.

Disse no canal francês LCI, a ministra de origem cabo-verdiano, Elisabeth Moreno, aliás duramente criticada nas redes sociais pela sua suposta “ingratidão” para com a França que lhe deu tudo.

O presidente Emmanuel Macron fez uma rara admissão, dizendo que o privilégio dos brancos é um fato em França, um país frequentemente acusado de ter uma abordagem discriminatória em relação às minorias em diferentes partes do mundo.

Na entrevista, ainda disse:

“Ser um homem branco pode ser visto como um privilégio, embora outros fatores como trabalho árduo e mérito desempenhem o seu papel”.

Os comentários de Macron como chefe de estado de um país europeu com grande poder membro do Conselho Permanente das Nações Unidas, ocorrem num momento em que há protestos globais sobre questões raciais alimentados por campanhas como o movimento Black Lives Matter e valida o que ativistas de direitos humanos vêm denunciando há anos: em nome da igualdade, as leis francesas tornaram as minorias “invisíveis”, tornando-as vulneráveis ​​à discriminação.

Uma lei de 1978 proíbe a recolha de dados sobre “raça, etnia e filiação religiosa”. Como resultado, não há números sobre a população muçulmana, negra ou minoritária, nem políticas separadas para a sua ascensão socioeconômica.

Uma pesquisa do governo de 2010 sobre a diversidade populacional para examinar o acesso dos imigrantes aos recursos constatou que:

“A cor da pele, seguida da origem e da religião, são as principais fontes de estigma e racismo em França e na sociedade francesa”.

Os legisladores franceses, que só reconheceram a escravidão como um crime contra a humanidade em 2001, votaram para remover a palavra “raça” dos livros jurídicos do país em 2013 porque argumentaram que raça é uma construção social inventada.

Em 2018, a palavra “raça”, mencionada apenas uma vez na Constituição Francesa, foi excluída e oficialmente substituída por “sexo”. O artigo agora garante a igualdade de todos os cidadãos perante a lei, independentemente de sua origem, sexo ou religião, ao invés de raça.

 

O que achas desta situação? França fez bem em suprimir a palavra “Raça” da constituição? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

Imagem: © 2019 REUTERS 
pub

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite o seu comentário!
Por favor, digite o seu nome aqui


Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.