A agência de notação financeira Standard & Poor’s (S&P) alertou que as perspetivas de retoma turística em Cabo Verde são incertas, desde logo pela reduzida taxa de vacinação contra a covid-19 prevista, que só deverá atingir 60% da população em 2023.

É que para a S&P, que na sexta-feira baixou o rating de Cabo Verde de ‘B’ para ‘B-‘, ainda “não está claro” como esse “ritmo mais lento de distribuição de vacinas”, como previsto no plano nacional de vacinação contra a covid-19, afetará a procura turística pelo arquipélago “ou quão dispostos” estarão os governos dos principais mercados europeus de turista “a voltar a permitir viagens sem restrições”  para Cabo Verde. Notamos que o Reino Unido — o maior destino de origem para turistas para aquelas ilhas.

“Isso destaca a natureza frágil de qualquer potencial recuperação no número de turistas”, destacam os analistas da S&P, num relatório sobre a evolução e perspetivas da economia em Cabo Verde.

Antes da pandemia de covid-19 o início do ano era tido como época alta no turismo em Cabo Verde, mas no mês de janeiro os aeroportos cabo-verdianos perderam cerca de 90% dos passageiros, quando comparado com o mesmo mês de 2020, devido a novas vagas da pandemia na Europa, demonstrando que a retoma turística, setor que garante 25% do Produto Interno Bruto (PIB), continua por acontecer.

O plano de vacinação contra a covid-19 em Cabo Verde prevê uma taxa de cobertura de 20% para este ano, cerca de 110 mil pessoas, entre os grupos prioritários, como idosos, profissionais de saúde, de segurança, professores e trabalhadores do setor do turismo.

Para a S&P, as perspetivas envolvendo o turismo, no médio prazo, são afetadas “por grandes incertezas”: “Ao contrário de grande parte do mundo desenvolvido, Cabo Verde não garantiu seu próprio fornecimento privado de vacinas e, portanto, é provável que seja mais lento na inoculação de sua população”, alertam os analistas da agência.

Acrescentam que o Governo de Cabo Verde, atualmente, só tem acordos com o COVAX — patrocinada pela Aliança de Vacinas, GAVI e OMS, para países de baixa e média renda — e com o Banco Mundial. “Juntos, devem fornecer vacinas para cerca de 20% da população. As últimas previsões de distribuição provisória da COVAX sugerem que Cabo Verde receberá doses suficientes da instalação para vacinar totalmente cerca de 10% de sua população no primeiro semestre de 2021”, aponta a S&P.

Embora o Governo aponte que os trabalhadores do setor turístico estarão entre os grupos prioritários da vacinação (quase 12.000 em 2021), para “incentivar a chegada de turistas internacionais e gerar um retorno mais rápido ao crescimento”, a S&P diz que “é provável que demore muito mais tempo para imunizar totalmente a população de Cabo Verde” e que o país “dependerá do apoio dos doadores para alcançar esse objetivo”.

A Standard & Poor’s baixou na sexta-feira (19/02) o ‘rating’ de Cabo Verde para ‘B-’, mantendo-se abaixo do nível de recomendação de investimento, devido precisamente ao impacto económico da pandemia de covid-19 no turismo. A decisão de baixar o rating da dívida soberana de longo prazo em moeda local e estrangeira de ‘B’ para ‘B-’, ambos em nível considerado de lixo, é justificada pela S&P com o “efeito prolongado” da pandemia de covid-19 na economia de Cabo Verde.

“Deixará uma grande e prolongada mossa nas contas fiscais e externas do país”, lê-se na nota que acompanha a decisão, que por outro lado mantém os ratings de curto prazo no nível ‘B’. Os analistas da S&P apontam que a pandemia reduziu “severamente” as receitas de exportação com o turismo a Cabo Verde e “aumentou significativamente o défice da conta corrente”, mas assumem que a perspetiva é “estável”, com uma “recuperação económica gradual”.

Contudo, com menos receitas em moeda estrangeira, através do turismo, o pagamento das obrigações de Cabo Verde de uma dívida externa “grande e a crescer” será “mais desafiador”, reconhecem.

A S&P estima que Cabo Verde tenha fechado 2020 com uma recessão económica de 14,9% do Produto Interno Bruto (PIB) e que só em 2024 voltará aos níveis de crescimento de 2019, devido à “abrupta paragem” do turismo no arquipélago. Com um recorde de 819 mil turistas em 2019, o setor está praticamente parado desde março de 2020 em Cabo Verde, devido às restrições impostas para conter a pandemia de covid-19.

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