A responsável pela análise dos países lusófonos africanos no Departamento de Assuntos Económicos e Sociais da Organização das Nações Unidas (ONU) explicou, em entrevista ao Mercados Africanos, como podem os países sair da crise em que a covid-19 os mergulhou.

“É preciso que os níveis de crescimento cresçam o suficiente para ultrapassar o aumento da população e assim melhorem as condições de vida das pessoas”, disse Helena Afonso, explicando que os países têm de redirecionar os investimentos e garantir que eles vão em frente mesmo durante a pandemia.

“Há uma oportunidade agora para manter os investimentos feitos no setor das tecnologias, saúde pública, regularização dos trabalhadores informais e na Educação e outros como a transição energética, que são importantes para garantir um desenvolvimento sustentável”, disse a especialista responsável pela parte do relatório ‘Situação Económica e Perspetivas Mundiais’, divulgado na segunda-feira.

Na entrevista ao Mercados Africanos, Helena Afonso admitiu que não é já este ano que as condições de vida dos africanos vão melhorar, já que o crescimento de 3,4% da economia não vai compensar o aumento da população, mas ainda assim a especialista diz que “as condições vão melhorar este ano face a 2020”.

Depois de uma redução do crescimento per capita (por pessoa a nível médio) de 5,8%, este ano esse valor já é positivo em 1%, mas é preciso uma expansão económica maior, e para isso é preciso “que as políticas macroeconómicas e as reformas estruturais ganhem um impulso nos próximos anos, sendo preciso bastante apoio externo”.

Todos os países lusófonos crescem este ano

As previsões da ONU para os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) apontam para o pleno em termos de crescimento económico, já que todos deverão ver as suas economias expandir-se, liderados por São Tomé e Príncipe, que cresce quase 5%.

Apesar de admitir que em Angola “as dificuldades continuam”, Helena Afonso confia que a economia saia da recessão e cresça 1,2% este ano, fruto das reformas e dos esforços do Governo para conter a trajetória da dívida pública, que ainda assim deverá manter-se acima dos 100% do PIB devido à depreciação do kwanza.

Sobre Cabo Verde, a especialista lamenta que o arquipélago tenha enfrentado “o pior choque desde a independência” e relaciona as dificuldades com a ausência de turistas, lembrando que no segundo trimestre do ano passado a queda nesta importante fonte de receita chegou aos 91%.

Na análise feita aos maiores países lusófonos para o Mercados Africanos, Helena Afonso referiu-se ainda a Moçambique, notando que o país “enfrenta condições económicas bastante complicadas devido às fragilidades internas e à pandemia”.

A ONU prevê um crescimento de 2,3% este ano, sustentado na agricultura e no aumento da produção de carvão, e diz que para o ano a economia deverá acelerar ainda mais devido aos novos investimentos previstos.

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