Turquia: negócios sem arrogâncias e de proximidade com África.

O presidente turco Recep Tayyip Erdogan fará uma visita oficial ao Togo a 20 de outubro 2021, a primeira do género, que faz parte de uma viagem que o levará também à Nigéria e a Angola, primeiro e segundo produtores de petróleo do continente.

Durante os períodos de crise as rivalidades entre os poderes globais adquirem uma escala sem precedentes. Não foi diferente durante a atual pandemia.

Ao contrário dos EUA de Trump e da União Europeia, que se fecharam e “olharam para dentro”, a China, mas também a Rússia souberam usar o pico desta pandemia para “influenciar”.

Mas não foram as únicas.

A Turquia também usou a crise da Covid-19 para mostrar um ativismo renovado no cenário internacional, ao enviar equipamento para alguns países da União Europeia – Espanha, Itália – mas sobretudo, África.

As relações turco-africanas tradicionalmente remontam à época do Império Otomano, ou seja, entre o século XVII e meados do século XIX. Se o último esteve presente principalmente no Norte e partes do “Corno” da África, os otomanos também mantiveram fortes laços com muitos países do continente.

Nas duas últimas décadas, as relações com África constituem um dos principais pilares da política externa turca.

Em 2008, foi realizada a primeira Cimeira de Cooperação Turquia-África em Istambul, na qual a Turquia foi declarada “parceiro estratégico” pela União Africana.

O seu pedido para se tornar membro do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) foi aceite no mesmo ano, antes da adesão do país em 2013.

Em 2014, à segunda Cimeira de cooperação turco-africana em Malabo, na Guiné Equatorial, seguiu-se o anúncio de um plano que cobre o período 2015-2019 com o objetivo de promover mais cooperação turco-africana em todos áreas de negócios.

A terceira Cimeira que deveria ter sido realizada em abril de 2020 foi adiada devido à pandemia Covid-19.

Entre 2008 e 2018, a Turquia quase quadruplicou o número das embaixadas e consulados no continente, com 42 representações até o momento.

Desde a década de 1990, as empresas de construção turcas teriam ganho mais de 10 mil milhões de dólares graças a 223 projetos realizados na África Subsaariana.

As construtoras turcas já participam de vários projetos de grande escala: no Senegal, grupos turcos obtiveram a gestão do novo aeroporto internacional de Blaise Diagne em Dacar, na Guiné-Conacri, um contrato de concessão foi assinado entre o Porto de Conacri e Alport SA12 – uma subsidiária de um grupo turco pertencente a Berat Albayrak – que também tem a gestão do porto e do Aeroporto Internacional de Mogadíscio, capital da Somália.

Quanto ao setor de aviação a companhia Turkish Airlines, oferece voos para mais de cinquenta destinos no continente africano, o que dá uma vantagem comparativa ao país, sobre os seus concorrentes no continente.

Em dezembro de 2019, numa reunião organizada sob a égide do Conselho de Relações Económicas da Turquia o Ministro das Relações Exteriores, Ruhsar Pekcan anunciou que “2020 será o ano de África para Turquia” o que demonstra o interesse que o país concede ao continente africano, destino de 16 mil milhões de dólares em exportações em 2019

A Turquia – que tem um longo historial de fricções com a União Europeia – para além da procura por novas oportunidades económicas, a preocupação de garantir as suas necessidades de energia, também tem fortes motivações relacionadas com a sua ambição internacional de se afirmar gradualmente como um parceiro-chave no continente.

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