UA e UE reúnem-se no Ruanda: “África não pode ir a reboque da europa”.

A reunião ministerial, que será copresidida pelo presidente do Conselho Executivo da UE, o vice-primeiro-ministro e chefe da diplomacia da República Democrática do Congo, Christophe Lutundula Apala, e pelo Alto Representante da UE para a Política Externa, Josep Borrell, decorrerá entre nestas segunda e terça-feira,(25/26 outubro 2021) em Kigali, com um encontro ao nível de ministros dos Negócios Estrangeiros previsto para o segundo dia.

Recordamos que em entrevista a Mercados Africanos, Carlos Lopes, tinha-nos dito que as negociações entre países da África e da Europa devem mudar com a abertura da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA) e afirmou que “África não pode ir a reboque da europa”.

Carlos Lopes, economista guineense e professor na Nelson Mandela School of Public Governance e alto representante da União Africana (UA) para as Parcerias com a União Europeia, acrescentou “Nós temos uma relação com a Europa que é muito dependente em termos de políticas de ajuda ao desenvolvimento ou de ajuda humanitária (…) Nós somos o terceiro parceiro comercial da Europa depois dos Estados Unidos e da China”.

“Somos [parceiros] mais importantes do que o Japão, que toda a América Latina, mais importantes do que a Índia cerca de 3 vezes e, portanto, deveríamos ter uma negociação com a Europa muito diferente daquela que temos. Isto é uma boa demonstração da falta de força [da África] por não haver zona de livre comércio. A partir do momento em que nós tivermos uma vai ser diferente”, pontuou Lopes.

O negociador da União Africana recordou que embora a União Europeia seja o principal parceiro económico do continente, o padrão das relações não é equilibrado, as nações africanas são fornecedoras de matéria-prima e importadoras de produtos transformados.

“A África acaba por ir a reboque de medidas comerciais que são tomadas na Europa, por exemplo, os subsídios a agricultura, que depois não permitem que a África possa exportar seus produtos agrícolas para a Europa porque há uma concorrência, entre aspas, desleal.

Lopes lembrou que a África tem interesse em se industrializar e tudo isto passa por protocolos e incentivos que são feitos em forma de tarifas, impostos alfandegários. Estas pautas precisam ser discutidas milímetro a milímetro entre os países”.

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