“Até hoje falámos sempre na necessidade de exercitarmos a solidariedade e a cooperação global em termos da prevenção e tratamento da doença, incluindo a vacinação. Chegou a altura de traduzirmos essas palavras em ações”, disse o Dr. Nkengasong, Diretor do Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (CDC), durante a conferência de imprensa semanal, virtual, partir da sede, em Addis Abeba, capital da Etiópia.

“África já tem muitas doenças endémicas, não precisa que a covid-19 se converta em mais uma. O continente precisa de vacinar 60% dos 1,2 mil milhões de habitantes. Esse é o nosso objetivo, que assumimos seriamente, e estamos a trabalhar com os nossos parceiros (Banco Mundial, Afreximbank, COVAX) para o alcançar”, afirmou.

Nkengasong sublinhou que “muitos países ocidentais compraram mais vacinas do que precisam”, e, apesar da África estar envolvida no mecanismo COVAX (liderado pela OMS, CEPI e Gavi, com objetivo de acelerar o fabrico de vacinas covid-19, e garantir um acesso global equitativo), esse mecanismo não chegará para as necessidades do continente.

“Isso criaria uma questão moral, a forma de descrever não pode ser outra, criaríamos um dilema moral”, reforçou o diretor do

O responsável reconheceu que as diferentes vacinas já disponíveis impõem condições de armazenamento e distribuição desafiadoras, como são os casos da vacina da Pfizer e da Moderna, mas disse que “o mais importante” é que o continente comece a campanha de vacinação “o quanto antes”.

E mesmo em relação àquelas duas vacinas, sublinhou que “as condições de armazenamento e distribuição não impedem que sejam criados pontos de vacinação nas capitais africanas”. “O importante é começarmos, é não ficarmos completamente parados enquanto esperamos por outras vacinas que eventualmente requeiram condições de armazenamento menos restritivas”.

O diretor do Africa CDC fez ainda a síntese da evolução epidemiológica na última semana.

Cinco países são responsáveis por cerca de 70% dos casos em África, e estes incluem a África do Sul (36% do número total de casos no continente), Marrocos (17%), Egito (5%), Etiópia (5%) e Tunísia (5%).

O continente registou cerca de 100 mil novos casos de infeção (representando um crescimento de 7,8% em relação à semana passada) e cerca de 2,1 mil mortes (mais 7%).

Os cinco países que reportaram um maior número de novos casos incluem a África do Sul (cerca de 26 mil novos casos de infeção), Marrocos (25 mil novos casos), Tunísia (8 mil), Argélia (6 mil) e Quénia (5 mil novos casos de infeção), indicou o diretor do Africa CDC.

O continente realizou até agora 23 milhões de testes, segundo o diretor do CDC.

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