União Africana tem que atuar no Conflito do Tigray

A quase inação da União Africana desde a eclosão do conflito em Tigray em novembro de 2020 é preocupante e a Organização Continental tem que realmente fazer o que deve para que parem fim as hostilidades.

A Etiópia está em chamas há quase dez meses, especialmente na sua parte norte. A guerra em Tigray espalhou-se e agora abrange as regiões Afar e Amhara.

Imagens de populações deslocadas, ameaçadas pela fome e a provação já duram há quase dez meses e tudo isto no país que acolhe a sede da União Africana, sem que a Organização não tenha conseguido impedir, até agora, o derramamento de sangue.

A União Africana assistiu impotente à escalada verbal entre a TPLF e o governo federal e desde a eclosão do conflito não tomou nenhuma ação importante para encerrar as hostilidades, ou se tomou elas não são conhecidas e obviamente não tiveram o resultado esperado.

Se nada for feito, entre as medidas que os EUA já tomaram uma outra terá um impacto enorme para a Etiópia. A Representante de Comércio dos EUA Katherine Tai, disse que o seu país corre o risco de retirar a Etiópia do programa chamado Oportunidades de Crescimento para a África (AGOA).

Mas, independentemente, das sanções que os EUA ou outros possam tomar em relação ao conflito na Etiópia, o fundamental é que sejam os africanos e as suas instituições que resolvam a situação.

Num momento em que o continente se debate para encontrar os meios para fazer face aos efeitos económicos e sociais da pandemia e as instituições africanas insistem que no mínimo são necessários 300 mil milhões de dólares, o conflito na Etiópia – um dos países emergentes e com 115 milhões de habitantes – não abona na procura de consensos para financiamentos externos, sobretudo privados.

É imperativo que a União Africana e os líderes africanos mais escutados no continente, façam o necessário para que se chegue a uma solução negociada na Etiópia, porque mostrar liderança na resolução de conflitos no continente, facilita e credibiliza na negociação dos financiamentos necessários à recuperação económica e social.

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