Com Cabo Verde a liderar a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), o terrorismo no norte de Moçambique não ficou fora da conversa na Praia.  “Não somos insensíveis ao que se passa em Moçambique. A União Africana está engajada na luta contra o terrorismo, seja no Sahel, seja na bacia do Chade, seja no Mali ou em Moçambique”, afirmou Moussa Faki Mahamat.

Disse ainda que uma missão daquela organização a Moçambique vai avaliar nos próximos dias “a modalidade prática de apoio da União Africana à luta contra o terrorismo” no país, face à insurgência armada na província de Cabo Delgado, que já provocou milhares de deslocados e mortos.

Contudo, garante, a União Africana age “com base no princípio da subsidiariedade”, tendo em conta que Moçambique pertence à zona da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC). “Pelo que é na zona da SADC que o assunto tem sido abordado e temos estado em contacto com a SADC e com Moçambique”, recordou.

Perdão da dívida a África na cimeira com a União Europeia

Moussa Faki Mahamat, disse ainda esperar que a VI cimeira União Europeia – África, que esteve prevista para 2020 – cancelada devido à pandemia de covid-19 -, se realize este ano, apontando à necessidade de um perdão da dívida aos países africanos pelo “principal parceiro” de África.  “Espero bem que seja possível neste ano”, afirmou o presidente da Comissão da União Africana, garantindo que em cima da mesa dessa cimeira espera ter as “consequências, tanto sanitárias como económicas, da covid-19” e a necessidade de “trabalhar em conjunto”.

“E a União Europeia está disponível para ajudar o continente africano, na disponibilização de vacinas [contra a covid-19] e igualmente pelo tratamento à divida dos países africanos, que também está em cima da mesa”, rematou. Vários países africanos têm insistido na necessidade de um perdão da dívida por parte dos países mais ricos, de forma a lidar com as consequências económicas e sanitárias da pandemia de covid-19.

Reestruturação e reeleição

Após a reunião com o Presidente de Cabo Verde, Moussa Faki Mahamat explicou que o encontro com Jorge Carlos Fonseca serviu para fazer o balanço de quatro anos de mandato, marcado pelo início de uma “reforma institucional e financeira” na União Africana, condicionada nos últimos meses pela pandemia. A nova Comissão da União Africana, a primeira a ser eleita após o processo de reforma iniciado em 2016 sob supervisão do Presidente ruandês, Paul Kagamé, terá menos comissários e será escolhida através de um novo sistema baseado no mérito.

A nova estrutura executiva da União Africana será composta por oito membros, incluindo um presidente, um vice-presidente e seis comissários, menos dois lugares do que na anterior comissão. Entre os candidatos a comissários, está a engenheira agrónoma angolana Josefa Leonel Correia Sacko.

 

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