Vida de José Eduardo dos Santos vira palco de pugilato.

A vida de José Eduardo dos Santos, está a ser transformada em um palco de pugilato entre a família e o Estado.

Ao que tudo indica, o Ex-Presidente angolano encontra-se entre a vida e a morte, na sequência de uma crise respiratória e cardíaca, provocada por uma suposta queda na escada da sua residência.

O boletim clínico do Centro Médico de Barcelona, onde José Eduardo dos Santos está internado, já aventa que o coma é irreversível, mas a família rejeita e acredita na recuperação do ex-líder do MPLA.

A saúde do antigo Presidente da República de Angola, de 79 anos, para observadores, transformou-se numa guerra de acusações entre as filhas e o Governo, que ainda está coberto de “vontades constitucionais”.

Em toda esta azáfama, o politólogo José Adalberto não vê com bons olhos a interferência da família de José Eduardo dos Santos em relação à posição do Estado angolano em acompanhar todo o processo.

Prosseguiu dizendo que, com esta dissonância entre a família e o Estado, as filhas estariam a levar a situação com “amadorismo”, visto que José Eduardo dos Santos goza de honras de Estado, na qualidade de Ex-Presidente.

“Acho que o assunto está a ser muito mal gerido da parte da família. A própria família não demonstra uma unidade de comando”.

“Nestas circunstâncias de doença não pode haver este tipo de divergências, sobretudo que se transpire ao exterior”.

“Há uma dissonância entre os filhos, a esposa e o Estado”, desconfia.

À “Mercados Africanos”, José Adalberto lembra que:

“O Estado tem mecanismos próprios de abordagens a determinadas circunstâncias”.

“A família deve permitir que o Estado assuma as suas funções, enquanto estrutura que tem uma filosofia própria e um conjunto de protocolos”.

 

Estado e família desencontrados

Em Lisboa, o Presidente João Lourenço admitiu que a situação de saúde do seu antecessor é “preocupante”. “Tchizé” dos Santos desdramatiza e garante que os órgãos vitais do seu pai estão a funcionar.

Para acompanhar o desenrolar do caso, o ministro das Relações Exteriores, Tete António, foi enviado a Barcelona, para seguir de perto os passos a ser dados em torno da recuperação ou não do Ex-Presidente de Angola.

Inconformada, “Tchizé” dos Santos contratou uma advogada espanhola para impedir o desligamento das máquinas que servem de suporte do pai, bem como afastar o Estado e a esposa, Ana Paula dos Santos.

José Adalberto, em entrevista à “Mercados Africanos”, afirmou que a posição da filha demonstra falta de sintonia familiar, apesar de reconhecer que o Estado angolano terá negligenciado a sua função em relação a situação de José Eduardo dos Santos.

“Acho que [o Estado] durante muito tempo negligenciou um pouquinho essa sua função em relação a José Eduardo dos Santos”,

“Isto levou a que permitiu que próprio José Eduardo dos Santos e a família tivessem assumidos algumas despesas”, recordou o politólogo.

Não obstante a posição dos filhos, a administração de João Lourenço já alegou que não vai arregaçar as mangas, embora seja pretensão dos filhos afastarem-se do apoio das autoridades angolanas.

 

Suporte financeiro      

Na terça-feira, a clínica informou à família que o Estado angolano já não ia suportar mais as despesas do Ex-Presidente, mas Luanda negou e diz assumir todos os custos seja qual for à decisão dos médicos.

Uma possibilidade já aventada pelos filhos, caso o Estado renunciasse a sua função, sendo que o antigo Chefe angolano poderá manter-se ligado aos equipamentos médicos já que acreditam que p coma é resultado da paragem respiratória.

 

A Saúde de José Eduardo dos Santos censurada         

A imprensa pública angolana está a ser criticada, por alegada censura sobre o estado de saúde do Ex-Presidente que se encontra em coma induzido numa clínica privada em Espanha.

Para o jornalista António Festos, há clara e “excessiva censura” dos órgãos de comunicação social pública sobre o quadro clínico de José Eduardo dos Santos, porque as redações agem com base nas orientações do partido no poder, o MPLA.

“Penso que há uma censura clara, fruto da excessiva dependência da imprensa ao poder político”.

“Já todos sabemos que, embora as autoridades não admitam, a verdade é que as redações dos órgãos estatais de comunicação social, agem em cumprimento às orientações do partido no poder”.

Afirmou o editor-chefe da Rádio Despertar.

No seguimento dos seus pronunciamentos, o escriba pensa que o Ex-Presidente angolano está a beber do seu próprio veneno, já que, para ele, José Eduardo dos Santos, enquanto presidente não criou condições para uma imprensa aberta e plural, daí a censura sobre o seu quadro clínico.

“Como sabemos para a nossa imprensa pública a saúde de José Eduardo dos Santos não é notícia”.

“É vergonhoso o que se passa aqui. É importante que se diga que José Eduardo dos Santos está a beber do seu próprio veneno”

“Penso que se ele, enquanto Presidente, tivesse criado condições para uma imprensa aberta e plural, hoje não estaria a sofrer esta censura”, enfatizou o profissional.

Na ótica do jornalista da Rádio Despertar, a imprensa pública tem a obrigação de dar informações aos angolanos sobre o evoluir do estado de saúde de José Eduardo dos Santos, tratando-se de um antigo Presidente da República e atual Emérito.

António Festos diz ter informações que, no começo de cada semana, os responsáveis de conteúdos da imprensa pública são alegadamente instruídos pelo ministério da tutela a dar ênfase a artigos ligados ao partido governante.

 

Conclusão

Estamos perante uma situação delicada, recorde-se que o chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, governou Angola durante 38 anos, pelo que merece algum respeito dos seus congéneres.

E à pergunta que muitos fazem sobre a razão de o Ex-Presidente angolano se encontrar em Espanha, é preciso recordar que a sua ligação a esse país, já vem de longe, ou seja, há mais de 14 anos, por razões continuadas de problemas de saúde.

 

O que achas desta situação? Será que José Eduardo dos Santos poderá acordar do coma? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

Ver Também:

José Eduardo dos Santos nos cuidados intensivos

Imagem: © Getty Images / Francisco Lopes-Santos

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Autor

  • licenciando em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Jean Piaget de Angola (UNIPIAGET). Já trabalhou para vários órgãos locais. Atualmente é um dos correspondentes da Rádio France Internacional (RFI), em Angola e agora, também nosso Jornalista correspondente em Angola.

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