Entrevista Exclusiva a Juan Shang, Vice-Presidente do Kwenda Institute (parte II)

Xi Jinping é um aliado privilegiado dos africanos.

Nesta segunda parte, o também investigador do Centro Chinês de Estudos do Países de Língua Portuguesa (CCEPLP) e da Universidade de  Economia e Negócios Internacional da China mostrou, ainda, ser um conhecedor da diplomacia económica chinesa  em África, principalmente das relações entre Pequim e Luanda,  ao descrever, com precisão, os números de empréstimos e a visão da administração Xi Ping com o mundo, apesar da crise pandêmica que “infectou” a praça financeira das principais balanças comerciais do mundo.

MA: Xi Jinping é um aliado privilegiado dos africanos ou parceiro comercial em tempo de crise?

JS: Em Junho de 2020, o Presidente Xi Jinping anunciou, no âmbito do “Fórum de Cooperação China-África”, o cancelamento de dívidas sem juros a países africanos, assim como apelou ao G20 para alargar ainda mais o período de alívio da dívida para os países relevantes, incluindo os países africanos.

A China incentiva as instituições financeiras nacionais a consultar a “Iniciativa de Mitigação da Dívida do Grupo dos 20 países” (G20) para conduzir as negociações amigáveis com os países africanos sobre acordos de empréstimos soberanos, com vista aliviar a pressão da dívida dos credores.

Além das observações acima, Xi Jinping também está disposto a trabalhar com a comunidade internacional para aumentar o apoio aos países africanos com “epidemia e severas pressões”, estendendo mais o período de alívio da dívida para superar as atuais dificuldades.

A China espera que a comunidade internacional, especialmente, os países desenvolvidos e as instituições financeiras multilaterais que tomem medidas mais enérgicas para aliviar o problema da dívida na África.

Em 2015, a Cimeira do FOCAC de Joanesburgo, África do Sul, propôs os “Dez Planos de Cooperação”, segundo as quais, a China continuará a fortalecer o apoio à indústria, agricultura, finanças, infraestrutura, saúde pública e outras áreas-chave para o continente africano.

Estes planos visam modelar o investimento económico e comercial China-África, dominado pelo comércio de mercadorias, de modo, a acelerar a industrialização da África e aumentar sua capacidade independente de desenvolvimento sustentável.

O investimento direto da China em África atingiu, em 2019, 44,39 mil milhões de dólares, representando 4,7% do investimento estrangeiro total em África, ocupando o quarto lugar entre todos os investidores naquele ano.

  • licenciando em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Jean Piaget de Angola (UNIPIAGET). Já trabalhou para vários órgãos locais. Atualmente é um dos correspondentes da Rádio France Internacional (RFI), em Angola e agora, também nosso Jornalista correspondente em Angola.

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