O Governo do Zimbábue tem vindo a trabalhar desde 2017 para reavivar o setor agrícola. Entre os projetos importantes dessa nova dinâmica está a questão da indenização dos ex-fazendeiros brancos que foram expropriados.

No Zimbábue, o governo pretende conseguir dos investidores privados 1,75 mil milhões de dólares para compensar os ex-fazendeiros brancos expropriados no início dos anos 2000.

Fontes familiarizadas com o assunto, dizem que o executivo teria escolhido a firma britânica Newstate Partners LLP especializada em consultoria financeira para ajudar arrecadar esses fundos até julho de 2022.

No total, as autoridades devem pagar 3,5 mil milhões de dólares aos agricultores cujas terras foram confiscadas e redistribuídas durante o Programa de Reforma Agrária Acelerada (FTLRP) sob o regime do ex-presidente Robert Mugabe.

O acordo que endossa esta disposição foi rubricado em julho de 2020 entre o governo e o Commercial Farmers Union (CFU).

O Governo já anunciou o reembolso em junho passado de 1 milhão de dólares à CFU através da Kuvimba Mining House, que administra os ativos de mineração do país.

Para o Estado do Zimbabué, a questão da compensação é uma questão importante na medida em que pode ajudar a restaurar a imagem do país perante os credores internacionais e tranquilizar o sector privado sobre a segurança do quadro fundiário, um elemento importante para a atratividade do investimento estrangeiro na agricultura.

Para Paris Yeros, pesquisador associado do Instituto Africano de Estudos Agrários e professor de Economia da Universidade Federal do ABC (UFABC), a reforma agrária que aconteceu em 2000, num controverso programa governamental do antigo presidente, Robert Mugabe, apesar de polémica, foi importantíssima, uma vez que nenhum outro país africano ousou realizar tal feito.

“No geral , a mudança estrutural já foi feita, não tem retorno, se houver alguma tentativa de reverter haverá outra revolta. Foi uma mudança estrutural, histórica e profunda. Ninguém fez isso fora o Zimbabwe nos últimos 40 anos”, disse.

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