Embora a agricultura seja parte integrante da economia do Zimbábue, muitos jovens ainda a consideram uma mão de obra extenuante que oferece poucos benefícios econômicos.

No entanto, as coisas estão a mudar, embora lentamente e um número crescente de jovens começa a ver a agricultura como uma opção, viável, de carreira.

Terence Maphosa, de 28 anos, faz parte dessa nova geração de agro empresários que estão a revigorar o setor agrícola com iniciativas inovadoras, segundo um artigo da agência noticiosa da China, Xinhua, lido por Mercados Africanos.

Formado em Ciências Políticas pela Universidade do Zimbabué, o sonho de Maphosa era conseguir um emprego de colarinho branco na cidade depois de terminar a faculdade.

Um ano e meio depois de se formar na faculdade, as circunstâncias levaram Maphosa a criar e vender galinhas locais conhecidas como roadrunners em Mhondoro-Ngezi, a cerca de 170 km da capital Harare.

Roadrunner é o nome local que se dá a uma raça de frango cuja a carne é mais dura, embora seja considerada por muitos, mais saborosa e saudável do que os frangos de aviário  ou importados, tendo em conta que são criados ao ar livre e alimentados de forma natural.

Maphosa, não só começou a ser considerado na sua aldeia, mas demonstrou que, ao contrário de muitos jovens no Zimbabué, que continuam a considerar a agricultura como um setor para os menos educados, a migração para os grandes centros urbanos não é a única saída para a pobreza,.

Além da avicultura , Maphosa também está envolvido na agricultura e concentra-se nas culturas de milho, girassol, sorgo e soja como forma de reduzir os custos de compra de rações.

O sucesso de Maphosa no agronegócio tem chamado a atenção de muitos jovens nas redes sociais, onde ele coloca regularmente informações sobre o seu dia a dia e a conta no Twitter ganhou um número importante de seguidores e o seu nome tornou-se um assunto de discussão.

“Muitos jovens estão, agora, a apreciar a agricultura e aos poucos estamos a mudar a mentalidade”, disse ele à agencia chinesa, Xinhua.

“A razão pela qual a nossa geração não vê a agricultura como algo lucrativo é por causa de nossa formação. Quando crescemos, fomos ensinados a ir à escola, ser médicos, ser enfermeiras, ser advogados, ser engenheiros, ninguém nos pressionou para sermos fazendeiros. Então, aparentemente, não somos pressionados para sermos práticos, mas pressionam-nos para obter empregos de colarinho branco “, acrescentou.

Graças à agricultores como Maphosa, está acontecer um ressurgimento do interesse entre os jovens e cada vez mais, estão a ver a agricultura como uma carreira com futuro.

“As pessoas agora estão a mostrar o desejo e a “fome” de trabalhar na agricultura, especificamente na minha área, o negócio de roadrunner”, sublinhou Maphose e indicou que “a imagem da agricultura está a mudar e os jovens agora voltam-se para ela e o valor agregado dos seus produtos”.

Como a maioria dos países africanos, a agricultura continua a ser a base da economia do Zimbabué e atrair jovens para a agricultura rural é vital, já que quase 60% da população do Zimbabué vive em áreas rurais e o setor contribui com cerca de 17% ao produto interno bruto do país.

Além disso, as atividades agrícolas fornecem emprego e renda para 60-70 por cento da população do Zimbábue, fornece 60 por cento das matérias-primas para o setor industrial e contribui com 40 por cento das receitas totais de exportação do Zimbabué, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e a Agricultura (UNFAO).

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