Zona de Comércio Livre Africana Seis meses depois

A assinatura do acordo de criação da Zona de Livre Comércio Continental Africana (ZCLCA) foi, e seguramente é, considerada um marco histórico para o desenvolvimento económico do continente e entrou em vigor com a expectativa de duplicar as trocas no continente em 20 anos, segundo a Comissão Económica das Nações Unidas para África (UNECA).

A 1 de janeiro 2021, Mercados Africanos escreveu que : “No inicio da operacionalização da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA) todos estamos impacientes para vermos na prática, para além da retórica, como vai passar do papel ao terreno este mercado de livre comércio africano estimado em 1,2 mil milhões de consumidores”.

E acrescentamos: “Dos produtores de caju da Guiné-Bissau ou Moçambique aos grandes comerciantes da Nigéria ou do Quénia, aos fabricantes de automóveis do Marrocos, passando pelos bancos sul-africanos, todos aguardam ansiosamente o arranque da ZCLCA e esperam aproveitar as tarifas reduzidas para negociar no interior deste mercado africano”.

A estrutura de mercado único do ZCLCA visa melhorar a perspetiva do continente para gerir a cadeia de valores, produção global e capacidade de consumo. A integração dos mercados africanos através do ZCLCA oferece oportunidades iguais para abrir mercados a todos os países participantes.

Seis meses depois, os países africanos ainda não chegaram a um consenso sobre os critérios a serem usados ​​no quadro de convergência macroeconómica continental, ou sobre as etapas e o mecanismo de acompanhamento ou alguns aspetos técnicos, tais como a natureza das regras de origem e as vantagens tarifárias.

Todos sabemos que os países pertencem a várias formas, incompletas, de integração regional, tanto monetárias quanto reais e que são as bases reais em que se vão construir as condições de convergência das economias, para poder acelerar o comércio.

A operacionalização da ZCLCA será um processo longo e a concretização do sonho de abrir o maior bloco comercial do mundo está distante, mas já em processo.

Não fechamos os olhos à falta de infraestruturas, disparidades regionais e concorrências internas como sendo as maiores barreiras da ZCLCA..

A imensa heterogeneidade entre os países, tanto em desenvolvimento quanto em política monetária e fiscal, se é agora um empecilho deve tornar-se numa mais valia.

Diz-se muitas vezes, é mais fácil importar ou comercializar um produto de outro continente, como Europa, Ásia ou até dos Estados Unidos, do que comercializar de um país africano para o outro.

Esta dificuldade deverá tornar-se na motivação maior para exportar o café do Quénia ou o algodão do Mali já com valor agregado, ou seja, transformado e não bruto.

Também é verdade que existem grandes problema de logística e as formas de escoamento das produções de um lugar para o outro não são fáceis e que a base industrial na maioria dos países ainda é frágil, porque falta infraestrutura, energia elétrica adequada para a produção industrial.

Mas também nos está claro, que nenhuma zona de livre comércio, noutras regiões do mundo, começou em estado de absoluta perfeição.

É mais do que tempo do continente escrever a sua própria narrativa económica, criar e manter as suas próprias prioridades, objetivos, circuitos e estruturas comercias que promovam o seu desenvolvimento e transformação, mas para tal, é fundamental um forte compromisso por parte da liderança africana, pública e privada.

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